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A fabricação do Rei e a Polícia Militar!

No livro A FABRICAÇÃO DO REI – (BURKE, PETER – A fabricação do Rei – RJ, Jorge Daliar, 1994), no capítulo I – Apresentação a Luis XVI – O autor procura esboçar sua vontade inicial de não fazer mais uma “biografia” do Rei Sol”, “menos voltado para o homem ou para o rei que para sua imagem” o que ele busca é a “imagem pública do rei, o lugar que Luís XIV ocupa na imaginação coletiva”, preocupa-se “com representações de Luís XIV em seu tempo, com sua imagem tal como era retratada em pedra, bronze, tinta e até cera”. Trata-se de sua imagem no sentido metafórico da visão do Rei projetada por textos (poemas, peças teatrais, histórias) e por outros meios, como balés, óperas, rituais da corte e outras formas de espetáculo. (pág. 13)
O autor procura analisar o rei por meio de suas imagens individuais, para revelar sua imagem em seu tempo, sendo um verdadeiro estudo de caso das relações entre a arte e PODER, e, mais especificamente, da “fabricação de um grande homem”. Para quê serve tudo isso? Qual a importância de sabermos tudo isso? Como eu gostaria de ver nossos policiais tendo a capacidade de analisar nossa história, compreendendo a importância de seus acontecimentos, tudo a seu tempo, e nossa evolução enquanto instituição. É possível, que ao fazermos isso, deixássemos discussões infantis e inócuas, como tenho visto no orkut e no facebook, onde praças e oficiais fazem ataques mútuos, “autofágicos”, demonstrando a imaturidade de nossa “tropa”, nesse caso, utilizo a palavra “tropa” em sentido real.
O século de Luís XIV representou um período de brilho cultural da França, sobretudo nas Letras, onde sobressaíram Racine (autor de tragédias – “Andrômarca), La Fontaine (Fabulista), Moliére (Compôs comédias: O Avarento), Bossuet (escreveu Orações Fúnebres, Discursos sobre a História Universal), Boileau (Arte Poética, Sátiras), além de numerosos músicos (Lulli) e artistas plásticos (o pintor Le Brun, o arquiteto Mansart, o escultor Girardon). Esses homens funcionaram como verdadeiros “propagandistas” do rei. “Vendendo um verdadeiro pacote do monarca, com ideologia, propaganda e a manipulação da opinião pública”. (pág. 16)
Tudo isso, nos remonta ao conceito inicial de poder, tratado no post anterior: O PODER, em uma concepção bem simples, é a habilidade de alguém influenciar ou induzir outra pessoa a seguir suas diretrizes ou quaisquer normas por ele apoiadas. Não podemos negar, que acima de tudo o poder consiste em “comandar a natureza dos homens”. Em resumo, o que os artistas da época faziam era legitimar o Rei, dando-lhe cada vez mais “poder”. Fato que pode ser observado na página 17, quando o autor afirma: (…) Descreviam estátuas e outros monumentos como meios para “instruir o povo”, incentivando-o a amar seu príncipe e obedecer-lhe.
O poder do Rei Luis XIV pode ser percebido facilmente pelas comparações feitas a ele dentro do seu tempo e fora dele, tais como: Apolo e Hércules, um verdadeiro “mito”, sendo apresentado muitas vezes como: “Onisciente (informe de tout), invencível, divino, e assim por diante”. É bom frisar que o autor deixa claro que interessa a ele e não ao Luis “real” em contraposição ao mítico. Ao contrário, o que  interessa a ele é precisamente a realidade do mito, isto é, seus efeitos, sobre o mundo externo aos meios de comunicação– sobre os estrangeiros, sobre os súditos de Luís e igualmente sobre o próprio rei.
O poder do rei era tão grande que aquele que o representava, nesse caso significava também “tomar o lugar de alguém”, também passava a deter poder. Nesse sentido, embaixadores, governadores de províncias e magistrados, eram todos representantes de Luís (Rei), a rainha também o foi (…). Não podemos esquecer que também eram, num sentido diverso do termo “representação”, os secretários reais, que estavam autorizados a imitar não só a assinatura como a letra do Rei. Fato comum ainda hoje em nosso meio, onde o Secretário Geral tem poderes para segurar processos por tempo ilimitado sem sanções, dentre outros. Até as cartas  de amor de Luís eram escritas por outrem (…), como não temos mais cartas é possível que outros textos sejam escritos da mesma forma (Blogs). É interessante frisar que as “memórias reais” comparam as cartas escritas em nome do rei com aquelas que ele escreve de próprio punho (…). (pág. 20)
Outra demonstração de poder é o fato de objetos inânimados também representar o rei, em especial suas moedas, que traziam sua imagem e por vezes seu nome, sua bandeira, no mesmo caso, estava, seu brasão e seu emblema pessoal, o “sol”, e também seu leito, ou mesa posta para refeição, mesmo que ele estivesse ausente, chegando ao ponto de ser proibido, por exemplo, portar chapéu na sala em que a mesa do rei estava posta. (pág. 20) – Tudo isso, nos traz novamente ao sagrado e a onipresença do rei. Não mudou muita coisa em nossa história, pois esses fatos são perceptíveis em nossa “micro sociedade”, tanto na prática, quanto no “discurso da autoridade”.
Quase concluindo e fazendo uma analogia com nossa realidade, pode-se afirmar que uma parte importantíssima, para nós policiais militares, é que o poder do rei era demonstrado cotidianamente por meio das mais variadas formas. Analisando religiosamente o agir do Monarca podemos verificar sua demonstração de poder no dia a dia da seguinte forma:
1) O Rei é o Deus – “O capitão é deus aqui na terra, aluno” – frase utilizada constantemente nos cursos de formação;
2) Os dignatários e cortesãos os Sarcedotes = Oficiais e praças;
3) A teoria do poder real é o seu DOGMA = Militarismo;
4) A etiqueta é os seus RITOS = Regulamento de continência;
5) Versailles seu Templo = QCG;
6) Seus SÚDITOS SÃO FIÉIS  e seus OPOSITORES SÃO HERÉTICOS.
Isso pode ser percebido quando o autor cita: “Versailles, por exemplo, serviu ao rei como um cenário para a ostentação de seu poder. O acesso ao monarca era cuidadosamente controlado e comportava uma série de etapas. Os visitantes passavam de pátios externos a pátios internos, subiam escadas, esperavam em antecâmaras, dentre outros acontecimentos, antes que lhes fosse permitido vislumbrar o rei”. (pág. 19)
Portanto, conclui-se este trabalho, chamando a atenção para o significado do PODER ou simplesmente para o significado da sua busca, que pode ter sido a mola propulsora para a entrada em um mundo “moderno”, e que pode ter atingido o ápice no absolutismo, com o Rei Luís XIV, podendo ter iniciado alguns conceitos da modernidade. Ao analisarmos a arte oficial e literatura desse período podemos verificar traços de “ideologia”, definida como uma série de truques feitos para manipular leitores, ouvintes e espectadores. O termo ideologia, quando chega a ser usado, é redefinido para designar PODER dos símbolos sobre as pessoas, tenham elas consciências disso ou não. A busca pelo PODER pode até ser modificada com o passar dos tempos, mas está presente, e forte, na modernidade, pois ela está nos meios de comunicação, nas empresas com suas hierarquias, na política, dentre vários outros setores da sociedade, ou seja ela está presente em cada um de nós. Para fechar o DESEJO DE PODER é uma das motivações humanas nas sociedades modernas.
Referências bibliográficas:
Burke, Peter, 1994 – A fabricação do Rei – Rio de Janeiro: Jorge Daliar, Cap. 01 e 02.
Aquino, Rubim Santos Leão de, – História das Sociedades Modernas às sociedades atuais, 26ª ed. Rio de Janeiro, Editora ao Livro Técnico, 1993.
Correio do Livro da UNB, revista – 2005, pág. 38.
Matos, Francisco Gomes de, 1933 – Liderança Integrada: um novo conceito de eficácia – Rio de Janeiro: José Olympio, 1988. Cap. 01 e 03.
Motta, Paulo Roberto – Gestão contemporânea: a ciência e a arte de ser dirigente – 10ª edição – Rio de Janeiro: Record, 1999. Cap. 06 e 08.
Lideres e Liderança: entrevista com liderança empresariais e políticas dos Estados Unidos, Japão e Europa/prefácio de Warrenn Bennis.
Saiba mais sobre o Poder Absoluto lendo a introdução desse trabalho em outro post:
http://aderivaldo23.wordpress.com/2011/06/07/o-poder-absoluto-nas-corporacoes/

Aderivaldo Cardoso
Aderivaldo Cardosohttps://policiamentointeligente.com
Especialista em segurança pública e cidadania, pós graduado pelo Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília
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