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A mídia e a manipulação dos dados – A polícia brasileira mata um cidadão a cada cinco horas?

A imprensa brasileira vive “exigindo” a liberdade de imprensa, mas talvez nunca tenha sido livre, pois sempre foi “vendida”, na verdade comprada. Todas as pessoas esclarecidas tem a consciência de que a maioria das matérias publicadas refletem interesses de grupos que estão no poder, afinal quem paga as contas de tais jornais?
As verbas publicitárias são altíssimas para manterem esses “órgãos” de imprensa calados ou fora do foco. Aprendi muito cedo no curso de formação o jargão: “Não tem notícia, pau na polícia!”. Ao cursar a disciplina: Violência e Criminalidade com “mestres” doutores como Tânia Montoro e outros especialistas no assunto tudo ficou mais claro.
Brasília hoje passa por problemas sérios em decorrência de escandâlos de corrupção. Nos bastidores o desespero toma conta de políticos. Bens são bloqueados e processos rolam soltos, mas a mídia candanga explora a polícia para vender jornais e disfarçar os escandâlos de bastidores. Assim como o fizeram em outrora, em tempos de Caixa de Pandora!
Acordei com uma mensagem de uma policial falando-me da manchete do Correio Braziliense de hoje, pedindo-me para me posicionar no blog. Tenho me mantido calado, pois em uma instituição panóptica como a nossa sinto-me vigiado a todo tempo, sendo prejudicado em minha vida particular, mas o calar tem limites!
O Jornal Correio Braziliense de hoje traz em sua manchete de capa: POLÍCIA MATA UMA PESSOA NO BRASIL A CADA CINCO HORAS! Alegando que são 141 “assassinatos” por mês ou 1.693 por ano. Dentro do jornal na página 06 a manchete é mais escandalosa: Violência: EM 5 HORAS, UM POLICIAL VAI MATAR ALGUÉM! Em nenhum momento a reportagem enfatizou que morrem proporcionalmente mais policiais que “bandidos” em troca de tiro, principalmente em horário de folga!
Recentemente estudamos esses dados na aula de Juventude e Criminalidade, mas da forma que foi trabalhado no jornal os dados não refletem a realidade da polícia brasileira como um todo. Reflete em parte uma realidade do Sudeste do país, em especial Rio de Janeiro e São Paulo que possuem peculiaridades. Os números brutos são altos, mas generalizar as políciais do Brasil é uma irresponsabilidade sem tamanho desse órgão de imprensa! Sem falar que em 2007, 2008 e 2009 (dados comparativos apresentados) o Rio de Janeiro vivia quase que uma “guerra civil” ao entrar em confronto com os traficantes dos morros e São Paulo vivia “conflitos” com o PCC! São Paulo tem reduzido seus índices de homicídio nos últimos dez. Tem investido na profissionalização da polícia e no policiamento comunitário! Ainda falta muito, mas as polícias no Brasil estão procurando fazer a sua parte!
Interessante mesmo foi a análise de que “a existência de polícias militares no Brasil é resquício do regime militar, ao contrário de outros países. A letalidade da polícia brasileira também assusta. Segundo o especialista devemos buscar medidas como: a profissionalização da polícia, independência da organização e despartidarização. Será esse o problema? Policiais civis e militares matam quase que na mesma proporção. Como se dão as mortes causadas entre policiais e bandidos? Por que praticamente 80% dessas mortes ocorreram no Rio de Janeiro e São Paulo? Que tipo de modelo de polícia seria o ideal? São essas perguntas que devemos responder!
Outro fato interessante nessa matéria é que no Distrito Federal foram registrados apenas três mortes por intervenção letal desde 2004, nesse caso a reportagem ainda levanta suspeitas sobre a veracidade dos fatos ao comparar nossos dados com o Estado de Goiás. Altamente capciosa tal reportagem. Da mesma forma que tem sido as reportagens sobre a segurança pública na capital, principalmente no que se refere ao efetivo policial, onde publicaram apenas os dados sobre o quantitativo de praças da Corporação e dos Oficiais QOPMA (Oficiais administrativos). Sendo assim, divulgo aqui o quantitativo de Oficiais Combatentes (QOPM), ou seja, aqueles que também deveriam atuar na “atividade fim” da Corporação, para que possamos tirar nossas conclusões sobre a briga velada que tem ocorrido entre praças e oficiais em uma disputa tola em que todos nós saimos perdendo!
Coronéis previstos:
39 (trinta e nove) – Excedente (Até bem recentemente haviam apenas 13 (treze) vagas para o posto de coronel)
Coronéis existentes:
42 (Quarenta e dois) – Serviço interno
Tenente-Coronéis previstos:
78 (Setenta e oito) – Excedente
Tenente-Coronéis existente:
145 (Cento e quarenta e cinco) – Serviço interno
Majores previstos:
199 (Cento e noventa e nove) – Excedente
Majores existentes:
243 (Duzentos e quarenta e três) – Serviço interno
Capitães previstos:
261 (Duzentos e Sessenta e um) – Excedente
Capitães existentes:
278 (Duzentos e setenta e oito) – Serviço interno e eventualmente serviço externo (Supervisor de dia – atualmente esse serviço tem sido realizado por tenentes)
1º Tenentes previstos:
195 (Cento e noventa e cinco) – Sobrando vagas
1º Tenentes existentes:
55 (cinquenta e cinco) Tenentes para exercerem a função de fiscais na rua e nos quartéis (FOX – Oficial de dia)
2º Tenentes previstos:
195 (Cento e noventa e cinco) – Sobrando vagas
2º Tenentes existentes:
55 (cinquenta e cinco) Tenentes para exercerem a função de fiscais na rua e nos quartéis (FOX – Oficial de dia)

Manipular dados é muito fácil dependendo do objetivo de cada um!

Aderivaldo Cardoso
Aderivaldo Cardosohttps://policiamentointeligente.com
Especialista em segurança pública e cidadania, pós graduado pelo Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília
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