O governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (União Brasil), fez duras críticas à chamada PEC da Blindagem, aprovada na Câmara dos Deputados nesta semana com apoio maciço de sua própria sigla.
A proposta estabelece que processos contra parlamentares no Supremo Tribunal Federal (STF) só poderão avançar mediante autorização prévia da Câmara ou do Senado, além de permitir que essa decisão ocorra em votação secreta.
Para Caiado, a medida representa um retrocesso e abre caminho para que facções criminosas usem a política como refúgio. “Essa PEC é um convite para o crime organizado entrar no Congresso pela porta da frente, disputando votos nas urnas para blindar chefes de facções do alcance da Justiça”, declarou em nota publicada nas redes sociais.
O texto foi aprovado em dois turnos, em sessão que avançou pela madrugada, com 53 votos favoráveis e apenas quatro contrários por parte do União Brasil. O partido ficou atrás apenas do PL, que apoiou a proposta integralmente.
Críticos da PEC afirmam que a mudança afasta o Congresso das demandas reais da sociedade e enfraquece os mecanismos de combate à corrupção. Caiado reforçou esse ponto ao afirmar que a aprovação “representa o divórcio do Parlamento com o povo brasileiro”.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), encaminhou a matéria à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde começará a tramitação na Casa. Caiado disse esperar que os senadores revertam a decisão da Câmara.
