A transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para a chamada Papudinha, no Complexo da Papuda, em Brasília, nesta quinta-feira (15/1), reacendeu a mobilização da oposição no Congresso em torno de duas frentes: a derrubada do veto presidencial ao projeto que altera critérios de dosimetria das penas dos condenados por atos contra a democracia e a intensificação de ações em defesa da prisão domiciliar do ex-mandatário.
Bolsonaro estava custodiado na Superintendência da Polícia Federal, onde cumpria pena desde 22 de novembro de 2025, e passou a ocupar uma ala do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, estrutura conhecida por abrigar presos com prerrogativas específicas. A mudança foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, responsável por decisões relacionadas ao cumprimento da pena.
Nos bastidores, parlamentares aliados ao ex-presidente avaliam que a nova etapa do cumprimento de pena fortalece o argumento político para retomar o chamado “PL da Dosimetria”, texto aprovado anteriormente no Congresso, mas vetado integralmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A proposta, defendida por oposicionistas, poderia reduzir o tempo de regime fechado para condenados ligados à trama golpista, incluindo o próprio Bolsonaro, caso os efeitos sejam aplicados à execução penal.
Oposição cobra votação do veto
Lideranças do PL e integrantes do bloco oposicionista afirmam já ter iniciado articulações para que o Congresso analise rapidamente o veto presidencial. A expectativa é que a votação possa ocorrer nas próximas sessões conjuntas, com pressão direta sobre a presidência do Senado e do Congresso para inclusão do tema na pauta.
Parlamentares afirmam que os placares anteriores demonstram força suficiente para reverter a decisão do Planalto. Para derrubar um veto, são necessários 257 votos na Câmara e 41 no Senado, números que a oposição acredita ser possível alcançar com apoio de partidos do Centrão e bancadas temáticas.
Domiciliar e denúncias internacionais entram no pacote
Além do debate legislativo, aliados do ex-presidente também defendem reforçar a ofensiva por prisão domiciliar, alegando preocupação com a saúde e segurança de Bolsonaro. A iniciativa envolve coleta de assinaturas no Parlamento e até envio de denúncias a organismos internacionais, em busca de repercussão externa sobre o caso.
A estratégia combina pressão institucional e mobilização pública, com a leitura de que qualquer endurecimento ou manutenção das restrições pode ampliar o desgaste político do governo e do Judiciário perante segmentos do eleitorado conservador.
Flávio Bolsonaro ganha espaço no tabuleiro
No entorno bolsonarista, a transferência do ex-presidente também é apontada como fator de estímulo à consolidação do nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como principal representante eleitoral do grupo em 2026. Aliados defendem que a situação do pai pode transferir ainda mais protagonismo político ao filho, ampliando engajamento e fidelização da base.
A avaliação é que o episódio tende a reforçar o discurso de “perseguição política” e alimentar a narrativa que sustenta a reorganização do campo da direita, especialmente em ano pré-eleitoral.
