O Hospital Anchieta, unidade privada localizada em Taguatinga, no Distrito Federal, divulgou nota oficial após a Polícia Civil do DF iniciar uma investigação que apura três mortes tratadas como homicídios ocorridas dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O caso é investigado por meio da Operação Anúbis, conduzida pela Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP).
Segundo o hospital, ao perceber situações consideradas fora do padrão relacionadas aos óbitos, a instituição decidiu instaurar um comitê interno de apuração e deu início a uma investigação própria. Em menos de 20 dias, de acordo com a nota, o grupo teria identificado indícios que apontariam para a possível participação de ex-técnicos de enfermagem, com as evidências sendo formalmente encaminhadas às autoridades competentes.
A unidade informou ainda que, diante do material levantado internamente, foi o próprio hospital que requereu a abertura de inquérito policial, além de solicitar medidas cautelares. Entre elas, estava a possibilidade de prisão dos envolvidos, que já haviam sido desligados da instituição. Conforme comunicado, as prisões ocorreram nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026, por determinação judicial.
O Anchieta também afirmou que procurou as famílias dos pacientes falecidos para prestar esclarecimentos de forma responsável e acolhedora. A unidade reforçou que o processo tramita sob segredo de justiça, o que impede a divulgação de informações adicionais e da identidade dos investigados.
Operação Anúbis
A primeira fase da Operação Anúbis foi deflagrada em 11 de janeiro, com apoio do Departamento de Polícia Especializada (DPE). Na ocasião, dois suspeitos foram presos temporariamente e foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas (GO).
Durante as diligências, materiais considerados relevantes foram recolhidos e encaminhados para análise. A Polícia Civil busca esclarecer a dinâmica das mortes, a atuação de cada investigado e se houve participação de outras pessoas.
O avanço mais recente ocorreu em 15 de janeiro, quando a PCDF realizou a segunda fase da operação, cumprindo novo mandado de prisão temporária contra uma investigada e apreendendo equipamentos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.
De acordo com as investigações, os suspeitos teriam provocado a morte de pacientes por meio da aplicação indevida de um composto químico diretamente na veia, prática que teria ocorrido no ambiente da UTI.
Em nota, o Hospital Anchieta afirmou que também se considera vítima das ações atribuídas aos ex-funcionários e reiterou que está colaborando com as autoridades para o esclarecimento total dos fatos. A PCDF informou que as apurações continuam para identificar todos os envolvidos e apurar se os crimes ocorreram de forma isolada ou sistemática dentro da unidade hospitalar.
