A ofensiva do Partido dos Trabalhadores na CPMI do INSS contra governadores de oposição voltou a escancarar o uso político de comissões parlamentares como ferramenta de desgaste antecipado. Desta vez, o alvo preferencial é o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), arrastado para o centro do debate por requerimento do deputado Rogério Correia (PT-MG), sem que haja qualquer acusação formal ou conclusão de órgãos técnicos.

A estratégia petista segue um roteiro já conhecido: transformar investigações ainda em curso em narrativa política, misturando relações institucionais legítimas com suspeitas ainda não comprovadas, numa tentativa clara de produzir manchetes e tensionamento eleitoral.

No caso do DF, o próprio requerimento se baseia em diálogos institucionais entre o governo local e o Banco de Brasília (BRB), banco público que historicamente participa de operações de crédito, investimentos e parcerias financeiras — prática comum na administração pública e acompanhada por órgãos de controle.

Especialistas em finanças públicas ressaltam que reuniões entre gestores públicos e instituições financeiras não configuram irregularidade por si só, sendo parte natural da governança de bancos estatais. Eventuais problemas técnicos devem ser apurados por Banco Central, Tribunal de Contas e Polícia Federal, e não transformados em espetáculo político.

Ibaneis Rocha, por sua vez, tem mantido postura de transparência e respeito às instituições de controle, reforçando que todas as decisões do BRB seguem critérios técnicos e legais, sem interferência política indevida.

Nos bastidores do Congresso, parlamentares de diferentes legendas avaliam que o PT tenta inflar o episódio para atingir governos que não orbitam sua base ideológica, aproveitando-se do ambiente de CPMI para produzir desgaste público antes mesmo de qualquer conclusão oficial das investigações.

A mesma lógica tem sido aplicada em outros episódios recentes, nos quais o partido busca criar crises políticas paralelas enquanto ignora problemas estruturais que afetam diretamente aposentados e pensionistas — justamente o público que deveria ser o foco da comissão.

Para aliados do governador do DF, a movimentação revela mais desespero político do que compromisso com a verdade. “Não há denúncia formal contra Ibaneis, não há relatório técnico apontando irregularidade. O que existe é narrativa política sendo fabricada”, resume um parlamentar da base.

Enquanto o PT insiste em palanques e factóides, o Governo do Distrito Federal segue com investimentos, obras estruturantes e equilíbrio fiscal reconhecido por órgãos nacionais — resultados que ajudam a explicar por que Ibaneis se tornou alvo preferencial de ataques.

No fim, a CPMI corre o risco de repetir um velho padrão: muito barulho político e pouca entrega concreta para a população, enquanto o uso partidário das investigações segue como ferramenta de disputa de poder.