A tensão interna no Partido Liberal (PL) em Goiás atingiu um novo patamar nesta quinta-feira (7), após um confronto entre os deputados estaduais Amauri Ribeiro e Major Araújo durante sessão da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás. O embate, motivado pela ausência do senador Wilder Morais em uma votação considerada decisiva no Senado Federal, terminou com troca de ofensas, ameaça e acionamento da polícia.
A crise começou após Amauri Ribeiro criticar publicamente a ausência de Wilder Morais na votação que analisava a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). Durante sessão realizada no fim de abril, o parlamentar afirmou que a ausência do senador representava “uma vergonha para o Estado de Goiás”, destacando que o placar apertado tornava cada voto relevante no processo.
A declaração provocou reação imediata dentro do próprio PL. Na sessão seguinte, Major Araújo saiu em defesa de Wilder Morais e questionou o posicionamento de Amauri, lembrando que o deputado ingressou recentemente na legenda após deixar o União Brasil. O debate rapidamente ganhou tom pessoal, ampliando o desgaste entre os dois parlamentares.
Nos dias seguintes, a troca de acusações se intensificou. Amauri anunciou que cancelaria compromissos no interior do Estado para comparecer presencialmente à sessão desta quinta-feira, afirmando que faria o confronto “olho no olho”.
Durante a sessão, o clima ficou ainda mais tenso. Major Araújo chamou Amauri de “Joice Hasselmann do PL”, em referência à ex-deputada federal que rompeu com o bolsonarismo. Amauri rebateu com ataques pessoais, e os parlamentares passaram a trocar insultos em plenário, incluindo expressões como “burro”, “canalha” e “soldadinho de brinquedo”.
Mesmo após o encerramento antecipado da sessão, a discussão continuou nos corredores da Alego. Segundo relatos, Amauri teria dito ao colega para não permitir que ele colocasse a mão nele. Em resposta, Major Araújo teria afirmado: “Põe a mão em mim pra você ver. Amanhã você amanhece morto”. A polícia legislativa precisou ser acionada para conter os ânimos.
O episódio expôs publicamente a divisão interna do PL em Goiás, especialmente em um momento de articulação política para as eleições de 2026. A ausência de Wilder Morais na votação do Senado acabou se transformando em um símbolo de disputa dentro do próprio campo conservador goiano, ampliando o desgaste entre grupos ligados ao senador e parlamentares de perfil mais ideológico.
Além da repercussão política, a troca de ameaças pode gerar desdobramentos institucionais e jurídicos, diante da gravidade das declarações registradas no ambiente parlamentar.
