O Governo do Distrito Federal (GDF) iniciou uma nova etapa das ações voltadas à população em situação de rua com a implementação de um programa de monitoramento e atendimento integrado. A iniciativa, apresentada pela governadora Celina Leão, reúne órgãos de diversas áreas para ampliar o acolhimento, facilitar o acesso aos serviços públicos e promover alternativas que possibilitem a reconstrução da autonomia dessas pessoas.
A estratégia envolve equipes das áreas de assistência social, saúde, segurança pública, trabalho e fiscalização, que atuam de forma coordenada em locais onde há maior concentração de pessoas em situação de vulnerabilidade. Além do atendimento social, o programa prevê encaminhamentos para tratamento de saúde, acesso a programas de qualificação profissional e ações voltadas à reinserção no mercado de trabalho.
Levantamento realizado pelo DF Legal identificou aproximadamente 500 pontos considerados prioritários para atuação das equipes em diferentes regiões administrativas do Distrito Federal. Nas primeiras semanas de execução, cerca de metade desses locais já havia recebido acompanhamento.
Os resultados iniciais demonstram a adesão de parte do público atendido. De acordo com o balanço divulgado pelo governo, dezenas de pessoas aceitaram iniciar tratamento por meio de internação voluntária, enquanto outras optaram por retornar às cidades de origem, contando com o suporte da administração pública para viabilizar o deslocamento.
A iniciativa é implementada em um cenário de crescimento da população em situação de rua na capital federal. Dados do 2º Censo Distrital da População em Situação de Rua, elaborado pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), indicam que o número de pessoas nessa condição passou de 2.938, em 2022, para 3.521 em janeiro de 2025, representando um aumento de cerca de 20%.
O levantamento também mostra que o Plano Piloto concentra o maior contingente dessa população, com 897 pessoas registradas. Ceilândia aparece na sequência, com 719 registros, enquanto Taguatinga contabiliza 307. Juntas, as três regiões concentram mais da metade das pessoas em situação de rua identificadas no Distrito Federal.
Segundo o GDF, o programa busca ampliar a oferta de acolhimento e fortalecer a integração entre as políticas públicas voltadas à assistência social, saúde e geração de oportunidades. A proposta também contempla a recuperação de áreas públicas ocupadas irregularmente, conciliando ações de ordenamento urbano com medidas de caráter social.
A expectativa do governo é que a atuação conjunta dos diferentes órgãos permita ampliar o alcance das políticas públicas, oferecendo condições para que um número maior de pessoas consiga superar a situação de vulnerabilidade e reconstruir seus vínculos familiares, sociais e profissionais.
