O debate deste domingo (9) mostrou duas estratégias bastante diferentes na disputa pelo Governo do Distrito Federal. De um lado, José Roberto Arruda tentou colocar Celina Leão contra a parede explorando a crise do Banco de Brasília (BRB). Do outro, a governadora evitou fugir do tema, respondeu aos ataques e procurou estabelecer uma fronteira clara entre as decisões do governo anterior e a responsabilidade que assumiu ao chegar definitivamente ao comando do Palácio do Buriti.
Arruda apostou no ataque.
A estratégia era previsível: transformar o BRB no grande flanco de Celina e associar diretamente a governadora às decisões tomadas durante a administração de Ibaneis Rocha.
Celina, entretanto, respondeu justamente no ponto mais sensível dessa narrativa.
A governadora afirmou que foi contrária à operação envolvendo o Banco Master e lembrou que, como vice-governadora, não possuía poder para substituir as decisões do então titular do Executivo.
Foi além.
“Eu não sou responsável pelos erros de Ibaneis”, afirmou.
A frase talvez tenha sido uma das politicamente mais importantes do debate. Celina deixou claro que pretende disputar a eleição com identidade própria e não aceitará carregar automaticamente todas as decisões tomadas antes de assumir o governo.
“Não sou apêndice de Ibaneis, eu sou um novo projeto, sou Celina Leão”, declarou.
Foi justamente nesse ponto que a ofensiva de Arruda perdeu parte de sua força.
O ex-governador tentou colocar Celina exclusivamente na posição de ré política da crise. Ela respondeu assumindo outro papel: o de governadora que recebeu o problema e agora precisa solucioná-lo.
Celina reconheceu a gravidade da situação e afirmou estar trabalhando para encontrar uma saída para o BRB. Em uma de suas declarações mais fortes, resumiu o tamanho da responsabilidade que assumiu:
“Estou sozinha tentando salvar um banco.”
A diferença de posicionamento ficou evidente.
Enquanto Arruda concentrou sua estratégia em apontar culpados e afirmar que o problema estaria sendo “empurrado com a barriga para depois da eleição”, Celina buscou falar sobre responsabilidade institucional e solução.
Isso não elimina os questionamentos que o governo precisará responder sobre o BRB. Pelo contrário. O banco provavelmente continuará ocupando posição central na campanha.
Mas o primeiro debate mostrou que simplesmente associar Celina ao problema pode não ser suficiente para derrotá-la politicamente.
A governadora demonstrou que pretende responder aos ataques separando três momentos: as decisões tomadas quando Ibaneis comandava o governo, sua posição pessoal naquele período e as providências adotadas depois que assumiu definitivamente o Executivo.
Arruda, por sua vez, enfrenta outro desafio.
Para retornar ao Palácio do Buriti, não basta transformar a eleição em um julgamento do governo atual. Ele também precisará convencer o eleitor de que representa uma alternativa para o futuro do Distrito Federal.
E esse talvez seja seu maior problema político.
Celina pode ser cobrada pelo presente. Arruda inevitavelmente será confrontado com o próprio passado.
Depois de já ter governado Brasília, o ex-governador precisa demonstrar que sua candidatura representa mais do que a tentativa de retornar ao poder.
Celina explorou exatamente essa diferença de perspectiva: apresentou-se como a governadora que está diante de um problema concreto e precisa resolvê-lo, enquanto seus adversários tentam transformar a crise em combustível eleitoral.
O primeiro debate deixou, portanto, um recado importante para a campanha.
Celina Leão não pretende aceitar passivamente o papel de continuidade que seus adversários querem lhe impor. Sua estratégia será construir uma candidatura com identidade própria, defender as decisões tomadas desde que assumiu o governo e responder diretamente aos ataques.
Arruda tentou colocar a governadora nas cordas usando o BRB.
Celina respondeu mostrando que o confronto eleitoral de 2026 não será decidido apenas pela exploração dos problemas do presente.
Também será uma disputa sobre quem consegue apresentar ao eleitor um projeto convincente para o futuro de Brasília.
