O tenente-coronel Gilberto Hideki Ueda, afastado do comando do Corpo de Alunos do Colégio Militar Dom Pedro II, foi transferido para o Grupamento de Aviação Operacional (GAvOp) do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF). A mudança ocorre em meio à apuração da agressão sofrida por um estudante de 13 anos dentro da unidade de ensino.

Ueda deixou a função de comandante após determinação da governadora Celina Leão. O filho do oficial, aluno do 8º ano, é apontado como suspeito de agredir um estudante do 7º ano na última terça-feira (4). O episódio deixou a vítima com fraturas no rosto e exigiu atendimento hospitalar.

A transferência para o Grupamento de Aviação Operacional ocorreu depois da saída do militar do posto que ocupava no colégio. O caso, por sua vez, continua sob apuração do CBMDF e da própria instituição de ensino.

Segundo relatos obtidos durante a apuração, a agressão ocorreu depois de uma atividade esportiva. Os estudantes haviam participado de uma partida de handebol e, ao retornarem à escola, seguiram para o vestiário. No local, alguns alunos começaram a brincar e a jogar pequenas bolas de papel.

Em determinado momento, uma delas teria atingido o estudante apontado como agressor. Ele teria perseguido os colegas e alcançado a vítima. O adolescente foi derrubado e, na sequência, teria recebido uma série de socos, principalmente no rosto.

Dois monitores intervieram para interromper as agressões. Diante dos ferimentos, o próprio colégio acionou uma ambulância, que levou o estudante ao Hospital Alvorada.

Fraturas e 21 dias afastado

Exames médicos realizados após o episódio identificaram fratura multifragmentada no osso nasal esquerdo e desvio do septo nasal para o mesmo lado. Também foi constatada pansinusopatia, sem sinais de processo inflamatório agudo.

Por causa das lesões, o adolescente ficará afastado das atividades por 21 dias e não poderá realizar exercícios físicos durante esse período. Segundo a família, o estudante apontado como autor das agressões pratica judô.

Outro ponto relatado durante a apuração foi o receio da vítima de reagir. O adolescente teria contado a pessoas próximas que sabia que o colega era filho de um oficial de alta patente do Corpo de Bombeiros e que temia sofrer consequências dentro do colégio caso tentasse se defender.

A ocorrência foi registrada na Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA 1). A vítima também passou por exame no Instituto de Medicina Legal (IML) no mesmo dia.

Conselho Escolar apura episódio

Em posicionamento sobre o caso, o CBMDF informou que o Colégio Militar Dom Pedro II prestou atendimento ao estudante e entrou em contato com os responsáveis pelos alunos envolvidos.

A corporação afirmou ainda que foram instaurados procedimentos internos para esclarecer as circunstâncias da agressão. Uma reunião do Conselho Escolar também integra o processo de apuração.

O CBMDF confirmou que Ueda foi retirado da função que exercia no Corpo de Alunos e afirmou que o episódio é tratado com atenção, respeito às investigações e preservação da identidade e da privacidade dos estudantes envolvidos.