Cerca de 150 pessoas que vivem com HIV/aids no Distrito Federal estão no radar da Secretaria de Saúde para a nova etapa de vacinação contra a mpox. A estratégia começou a ser organizada após a chegada de 100 doses do imunizante, entregues pelo Ministério da Saúde na manhã deste sábado (7), à Gerência de Rede de Frio da pasta.
O atendimento inicial será destinado a pessoas com 18 anos ou mais que apresentem contagem de linfócitos T CD4 inferior a 100 células/mm³, além de atender aos demais critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Como parte desse público já recebeu a vacina no início do ano, a Secretaria de Saúde fará um levantamento para identificar quem ainda precisa iniciar ou completar o esquema.
A convocação será individualizada. Segundo a enfermeira da coordenação técnica de imunização do DF, Ligiane Selles, a Secretaria possui uma relação nominal dos pacientes elegíveis e fará o direcionamento para o local de aplicação. A medida busca organizar a distribuição das doses e garantir que o imunizante chegue às pessoas contempladas pelos critérios de prioridade.
A vacinação será realizada na Sala de Vacinação do Hospital Universitário de Brasília (HUB), que ficará responsável pelo contato com os pacientes e pelo agendamento. Quem acredita que se enquadra nos critérios também poderá procurar diretamente o serviço para receber orientações. O telefone disponível é o (61) 2028-5376.
O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h, na SGAN 605. A orientação também vale para quem recebeu apenas a primeira dose e precisa completar a imunização. O esquema prevê duas aplicações, com intervalo de 28 dias. Pessoas que já receberam as duas doses não precisam se vacinar novamente neste momento.
A previsão da Secretaria é ampliar gradualmente o público atendido. Após dez dias, poderão ser incluídas pessoas vivendo com HIV/aids com CD4 inferior a 200 células/mm³, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) com 18 anos ou mais e profissionais de laboratório que manipulam amostras do vírus, com idade entre 18 e 49 anos. Depois de 20 dias, a estratégia poderá alcançar pessoas vivendo com HIV/aids a partir dos 18 anos, independentemente da contagem de CD4.
Além da vacinação preventiva, o planejamento contempla pessoas que tiveram contato com indivíduos com suspeita ou confirmação de mpox. A imunização pós-exposição poderá ser indicada a pessoas entre 18 e 49 anos que tenham tido contato direto com fluidos ou secreções corporais e cuja situação seja classificada como de médio ou alto risco. A aplicação é recomendada preferencialmente nos quatro primeiros dias após a exposição, podendo ocorrer em até 14 dias, desde que não haja sintomas e sejam cumpridas as exigências técnicas.
A identificação desses contatos será feita pelas equipes de vigilância epidemiológica e imunização das regiões de saúde, em articulação com a Gerência de Rede de Frio. Paralelamente, a SES-DF acompanhará a utilização das doses recebidas e a quantidade de pessoas que ainda precisam ser imunizadas para avaliar a necessidade de solicitar novos lotes ao Ministério da Saúde.
Causada pelo vírus monkeypox (MPXV), a mpox provoca principalmente lesões na pele, aumento dos linfonodos, conhecido como ínguas, febre, dor de cabeça, dores no corpo, calafrios e fraqueza. A transmissão ocorre sobretudo pelo contato direto com pessoas infectadas, incluindo o contato com lesões cutâneas e mucosas. Beijos, relações íntimas e contato próximo e prolongado, inclusive por gotículas respiratórias, também podem favorecer a transmissão.
Na maioria dos casos, a doença apresenta evolução leve ou moderada, com recuperação em algumas semanas. Pessoas com suspeita ou confirmação da infecção devem evitar contato próximo com outras pessoas e seguir as orientações dos profissionais de saúde. A Secretaria reforça que a campanha seguirá as diretrizes nacionais, com prioridade para os grupos de maior vulnerabilidade e respeito à confidencialidade dos pacientes.
