O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, afirmou nesta terça-feira (27) que já iniciou a busca por uma nova legenda partidária após perder apoio interno no União Brasil para sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026. A declaração foi dada durante entrevista à Rádio NovaBrasil, em São Paulo.
Segundo Caiado, a permanência no partido tornou-se inviável diante das divergências internas e da falta de respaldo da cúpula da sigla ao seu projeto nacional. O governador informou que comunicou sua decisão ao presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e ao secretário-geral da legenda, ACM Neto.
As tensões dentro do partido se intensificaram desde o início de 2025, quando Caiado lançou antecipadamente sua pré-candidatura. Lideranças influentes, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o deputado federal Elmar Nascimento, manifestaram resistência ao movimento. Ao mesmo tempo, ministros filiados ao União Brasil passaram a demonstrar alinhamento com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aprofundando a divisão interna da sigla.
Outro fator decisivo para o rompimento foi a criação da federação entre o União Brasil e o Partido Progressista (PP), oficializada em abril de 2025. Para Caiado, a aliança comprometeu ainda mais seu espaço político, especialmente diante da postura do presidente do PP, senador Ciro Nogueira, que, segundo o governador, não reconhecia sua pré-candidatura.
Caiado criticou o modelo de articulação adotado pela nova federação, afirmando que uma união partidária deveria fortalecer projetos próprios e não servir a interesses individuais ou composições futuras com outras lideranças nacionais.
Apesar de ainda não revelar os partidos com os quais negocia, o governador confirmou que há diálogo com diferentes siglas. Nos bastidores, nomes como Solidariedade, Podemos e Republicanos são apontados como possíveis destinos. Em ocasiões anteriores, o presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, já havia sinalizado publicamente interesse em lançar Caiado como candidato presidencial.
Mesmo diante das dificuldades, Caiado reiterou que seguirá na disputa e defendeu que o campo conservador adote uma estratégia com múltiplas candidaturas. Na avaliação do governador, apostar em um único nome da oposição favoreceria o presidente Lula, que contaria com a estrutura governamental a seu favor.
Caiado também ponderou que, embora o ex-presidente Jair Bolsonaro mantenha forte influência política, a transferência automática de votos para um único candidato não é garantida no atual cenário eleitoral.
