O que era apresentado como uma sólida aliança eleitoral entre o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) e o presidente do Avante no Distrito Federal, Gim Argello, terminou em uma crise que expôs fragilidade política, falta de coordenação e uma profunda quebra de confiança entre os dois grupos.

Após semanas de negociações e da expectativa de que o Avante indicaria o candidato a vice-governador, Arruda surpreendeu aliados ao registrar a chapa com Luiz Pitiman, filiado ao próprio PSD. A decisão foi recebida com indignação nos bastidores e colocou em xeque a credibilidade das articulações conduzidas pelo ex-governador.

Segundo interlocutores que acompanharam as negociações, o Avante acreditava que a vaga de vice havia sido reservada ao partido, entendimento reforçado pelo fato de Arruda ter participado da convenção sem anunciar o nome que completaria a chapa. A escolha de Pitiman, no entanto, encerrou unilateralmente as tratativas e deixou antigos aliados diante do fato consumado.

Nos bastidores, o sentimento predominante é de que Arruda privilegiou interesses internos do PSD em detrimento do compromisso político firmado durante a construção da aliança. Para dirigentes do Avante, a decisão esvaziou completamente o espaço conquistado pelo partido nas negociações e transformou meses de articulação em um desgaste público desnecessário.

O episódio também levanta dúvidas sobre a capacidade de Arruda de preservar alianças estratégicas. Em vez de ampliar sua base de apoio, a definição da chapa produziu um dos primeiros grandes conflitos da campanha, justamente com um dos partidos que mais atuaram na construção do projeto eleitoral.

A crise ameaça ultrapassar a disputa majoritária. Caso o distanciamento entre PSD e Avante se consolide, o impacto poderá atingir candidaturas proporcionais, enfraquecer a mobilização de lideranças regionais e reduzir a coesão da coligação em um momento decisivo do calendário eleitoral.

Nos meios políticos, a avaliação é de que a condução do processo deixou marcas difíceis de reparar. Uma composição que nasceu sob o discurso de unidade terminou envolta em desconfiança, acusações de descumprimento de acordos e incertezas sobre a permanência dos aliados.

Para muitos observadores, a principal consequência não foi apenas a escolha do vice, mas a forma como ela ocorreu. Em política, acordos podem ser revistos; a confiança, quando perdida, costuma ser muito mais difícil de reconstruir. A crise entre Arruda e Gim Argello demonstra que a disputa de 2026 começa marcada por fissuras dentro da própria base que pretendia sustentar a candidatura ao Palácio do Buriti.