Teve início nesta quarta-feira (27/5), em Taguatinga, a audiência de instrução do processo que investiga três técnicos de enfermagem acusados de participação na morte de pacientes internados na UTI do Hospital Anchieta, no Distrito Federal. A fase processual é considerada uma das mais importantes da ação penal, pois reúne depoimentos, provas e possíveis interrogatórios dos réus antes de eventual julgamento.

As sessões ocorrem no plenário do Tribunal do Júri de Taguatinga e também estão marcadas para os dias 29 de maio e 1º de junho. Por determinação judicial, o processo segue em segredo de Justiça, o que restringe o acesso às audiências apenas às partes envolvidas e pessoas previamente autorizadas.

Os acusados são os técnicos de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou o trio por homicídio doloso — quando há intenção de matar — além de tentativas de homicídio relacionadas a outros pacientes internados na unidade hospitalar.

Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), os suspeitos teriam aplicado doses excessivas de medicamentos em pacientes da UTI, provocando paradas cardíacas. Em um dos casos investigados, a polícia apura ainda a utilização de substâncias incompatíveis com o tratamento médico.

As apurações tiveram início após o próprio Hospital Anchieta identificar padrões considerados incomuns em uma sequência de mortes registradas na unidade. A suspeita levou à deflagração da Operação Anúbis, realizada pela PCDF em janeiro deste ano.

Conforme a investigação, Marcos Vinícius seria responsável pela aplicação das substâncias, enquanto Amanda e Marcela teriam auxiliado na ação. Imagens obtidas durante o inquérito reforçaram as suspeitas e passaram a integrar o conjunto probatório analisado pela Justiça.

Entre as vítimas identificadas estão o servidor dos Correios Marcos Moreira, de 33 anos; o servidor da Caesb João Clemente Pereira, de 63; e a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos. Familiares acompanham o caso de perto e participam do processo como assistentes de acusação.

A audiência desta semana não representa ainda o julgamento definitivo dos acusados, mas servirá para consolidar provas e depoimentos que poderão definir os próximos passos da ação penal.