Enquanto milhões de brasileiros se preparam para acompanhar mais uma partida da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, a expectativa também cresce dentro de hospitais e unidades de pronto atendimento do Distrito Federal. Nas estruturas administradas pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), o futebol tem assumido um papel que vai além da torcida: tornou-se uma ferramenta de acolhimento, convivência e fortalecimento emocional para pacientes e acompanhantes.

A mobilização ganhou força após a estreia do Brasil no torneio, quando diferentes unidades organizaram ações para permitir que pessoas em atendimento ou internação acompanhassem a partida. O resultado foi uma mudança temporária na rotina hospitalar, marcada por momentos de alegria, interação e descontração.

No Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), pacientes deixaram os quartos para acompanhar o jogo em um ambiente coletivo preparado especialmente para a ocasião. Para muitos, a experiência representou uma oportunidade rara de compartilhar emoções e conversar sobre um assunto que faz parte da identidade cultural do país.

Entre eles estava Paulo de Sousa, internado há mais de um mês. Ele conta que participar da atividade ajudou a tornar os dias de tratamento menos cansativos e proporcionou um momento de integração com outras pessoas que enfrentam situações semelhantes.

A emoção também foi compartilhada por familiares. Priscila Mendes, que acompanha o avô, José Mendes das Neves, durante a internação, afirma que assistir ao jogo dentro do hospital trouxe entusiasmo para toda a família. Segundo ela, o paciente é apaixonado por futebol e ficou especialmente feliz por não precisar abrir mão de acompanhar a Seleção durante o período de recuperação.

A iniciativa contou com a parceria da Rede Feminina de Combate ao Câncer, que disponibilizou uma televisão na Casa Rosa para a transmissão das partidas. A coordenadora da entidade, Larissa Bezerra, explica que o espaço continuará recebendo pacientes e acompanhantes durante toda a Copa do Mundo.

Segundo ela, a proposta é garantir que as pessoas internadas permaneçam conectadas a um dos eventos mais importantes do calendário esportivo mundial, preservando momentos de lazer mesmo em meio ao tratamento de saúde.

Para a equipe de Humanização do HBDF, o retorno positivo dos participantes confirma a importância de ações voltadas ao bem-estar emocional. Francisco Wellington Vieira destaca que o cuidado em saúde envolve diferentes dimensões e que criar oportunidades de convivência contribui para tornar o ambiente hospitalar mais acolhedor.

No Hospital Cidade do Sol (HSol), a estratégia também aproximou pacientes da atmosfera da competição. Televisores foram instalados para permitir o acompanhamento da estreia brasileira, transformando corredores e espaços coletivos em pontos de encontro para a torcida.

De acordo com o gerente de Enfermagem da unidade, Leandro Queza, atividades desse tipo ajudam a reduzir a sensação de isolamento frequentemente associada à internação. Ele ressalta que oferecer momentos de descontração contribui para uma experiência mais humanizada e fortalece os vínculos entre pacientes, familiares e profissionais.

A movimentação foi marcada por conversas, comemorações e demonstrações espontâneas de entusiasmo, evidenciando o impacto que pequenos gestos podem ter na rotina hospitalar.

Na UPA de Planaltina, a emoção chegou por meio das ondas do rádio. Pacientes em observação acompanharam a narração da partida e celebraram cada lance da Seleção Brasileira. A enfermeira Raffaela Monteiro lembra que o clima de torcida tomou conta do ambiente, especialmente nos momentos decisivos do jogo.

O gerente da unidade, Rogério Tavares, avalia que iniciativas simples podem produzir efeitos significativos na experiência dos usuários. Para ele, aproximar os pacientes de acontecimentos que mobilizam a sociedade é uma forma de reforçar o acolhimento e demonstrar atenção às necessidades emocionais de quem busca atendimento.

Com um novo compromisso da Seleção se aproximando, as unidades do IgesDF já se organizam para repetir a experiência. A expectativa é que a próxima partida volte a reunir pacientes, acompanhantes e profissionais em torno de uma paixão nacional que, dentro dos hospitais, também se transforma em instrumento de cuidado e humanização.