O Governo do Distrito Federal iniciou uma ofensiva financeira para reforçar o caixa do Banco de Brasília (BRB) e acelerar o cumprimento do plano de recuperação apresentado ao Banco Central após os impactos provocados pela crise envolvendo ativos do Banco Master.
A primeira etapa da operação já resultou na entrada de R$ 1 bilhão nos cofres do Distrito Federal. Os recursos foram obtidos por meio de uma operação estruturada pelo BTG Pactual, baseada na securitização da dívida ativa do DF.
A estratégia consiste em transformar créditos que o governo tem a receber — provenientes de impostos, multas e outros débitos inscritos em dívida ativa — em ativos financeiros negociáveis no mercado. Com isso, o GDF antecipa receitas futuras para gerar liquidez imediata.
Segundo integrantes da equipe econômica, o valor recebido nesta primeira tranche será destinado ao fortalecimento do capital do BRB, que busca atender às exigências regulatórias do Banco Central e recompor indicadores financeiros após perdas relacionadas à aquisição de carteiras de crédito posteriormente consideradas problemáticas.
O plano prevê que o banco amplie seu capital em até R$ 8,8 bilhões até o fim de maio. Como acionista controlador da instituição financeira, o GDF é responsável pelos principais aportes necessários para a execução da recuperação.
A operação de securitização prevê ainda novas etapas. A expectativa do governo é levantar até R$ 4 bilhões de forma imediata por meio da chamada cota sênior do fundo estruturado com os créditos da dívida ativa. No longo prazo, o potencial financeiro da operação pode ultrapassar R$ 20 bilhões.
Na prática, o governo vende ao mercado o direito de receber parte desses débitos futuramente, oferecendo descontos proporcionais ao risco e à dificuldade de recuperação dos valores.
Além do reforço de capital, o BRB também trabalha em medidas voltadas à ampliação da liquidez. Parte dos ativos ligados ao Banco Master considerados saudáveis foi negociada em operação conduzida pela Quadra Capital. A previsão é de que a transação gere entrada de até R$ 3 bilhões ainda neste mês.
Nos bastidores, a corrida para cumprir o cronograma do plano de recuperação é tratada como prioridade máxima pelo governo distrital. A expectativa é que, até o fim desta semana, cerca de 70% das metas pactuadas com o Banco Central já tenham sido executadas.
A movimentação financeira ocorre em meio ao aumento da pressão política e institucional sobre o caso. O episódio passou a mobilizar não apenas o mercado financeiro, mas também órgãos de controle e setores da classe política, diante do impacto potencial sobre o principal banco público do Distrito Federal.
Especialistas avaliam que o objetivo central do governo neste momento é preservar a confiança no BRB, evitando efeitos negativos sobre investidores, clientes e operações futuras da instituição.
