Em um hospital, o cuidado vai além de exames, medicações e procedimentos. Atitudes simples, como falar em tom moderado e respeitar o descanso do outro, impactam diretamente na recuperação dos pacientes. Com esse foco, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) lançou uma campanha institucional sobre a importância do silêncio nas unidades de saúde.
A iniciativa busca conscientizar colaboradores, pacientes e acompanhantes sobre como o excesso de ruído pode comprometer o bem-estar e até atrasar o processo de recuperação. Para alcançar esse público, a ação aposta em uma comunicação simples e presente no dia a dia, com aplicação de fundos de tela nos computadores dos profissionais, cartazes nas unidades, envio de e-mails e reforços pelos canais institucionais.
A campanha surge em resposta a uma realidade percebida nas unidades. Conversas em voz alta, portas sendo fechadas com força, uso de celulares com som elevado e a movimentação intensa nos corredores estão entre os fatores que mais impactam o ambiente hospitalar, especialmente durante a noite.
Internada há cerca de um mês no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), a paciente Ana Maria Noronha relata a dificuldade de descansar. “Tem noite que é difícil pegar no sono. Às vezes são conversas no corredor, porta batendo… a gente já está fragilizada, precisa descansar”, afirma.
Mudança de cultura
Mais do que uma orientação pontual, a proposta da campanha é fortalecer uma cultura de cuidado coletivo. Dentro das unidades, os colaboradores têm papel central nesse processo, não apenas pelo cumprimento das diretrizes, mas também por servirem de exemplo para pacientes e visitantes.
Para o médico e diretor clínico do HRSM, Thiago Martins, o silêncio é parte do tratamento. “Um ambiente hospitalar mais tranquilo contribui diretamente para a recuperação, melhora a qualidade do sono e reduz fatores que podem agravar o quadro clínico. Respeitar esse espaço é também uma forma de empatia”, destaca.
Na prática, a campanha reforça atitudes simples, mas essenciais: manter conversas em tom moderado, evitar o uso de dispositivos eletrônicos com volume elevado, respeitar os horários de descanso, especialmente no período noturno, e ter atenção ao manuseio de equipamentos, como macas e cadeiras de rodas, para evitar ruídos desnecessários.
Segundo o presidente do IgesDF, Cleber Monteiro, ao apostar na campanha de conscientização, o Instituto busca engajar toda a comunidade hospitalar em torno de um objetivo comum: transformar o silêncio em aliado no tratamento. “Afinal, em um ambiente onde cada detalhe faz diferença, respeitar o descanso do outro também é uma forma de cuidado”, finaliza.