O que antes era apenas paixão por motores e restauração ganhou dimensão de experiência cultural e hoje ajuda a redesenhar o turismo em Brasília. Instalado no Lago Sul, o V12 Auto Club deixou de ser um projeto de nicho para se tornar um espaço que mistura memória, entretenimento e vivência sensorial, um roteiro que foge completamente ao circuito tradicional da capital.

Com cerca de 5 mil metros quadrados e um acervo que gira em torno de 220 veículos, o local reúne desde relíquias automotivas até modelos totalmente personalizados. Mas o diferencial não está apenas na coleção. O ambiente aposta em uma proposta imersiva, na qual o visitante não é apenas espectador, mas parte da experiência.

Criado a partir da trajetória do Grupo V12, empresa com mais de três décadas de atuação no setor automotivo, o espaço nasceu da transformação de um hobby em negócio. Ao longo dos anos, a dedicação à restauração e à customização deu origem a um acervo próprio, construído peça a peça, que hoje funciona como vitrine de técnica, criatividade e história.

À frente do projeto, a empresária Rejane Farias resume a proposta como algo que ultrapassa a ideia de um museu tradicional. Segundo ela, cada detalhe foi pensado para provocar sensações e criar conexões com o público. A visita, explica, envolve desde a ambientação até a trilha sonora e os espaços interativos, que permitem uma relação mais próxima com os veículos e com o universo que eles representam.

O passeio se estende por diferentes ambientes. Há desde áreas dedicadas à exposição até espaços de convivência, como uma cafeteria com produção artesanal e um ambiente voltado à venda de itens temáticos. Um mercado de antiguidades também integra o circuito, reunindo objetos que dialogam com a memória afetiva de diferentes gerações.

Para o secretário de Turismo do Distrito Federal, Cristiano Araújo, iniciativas desse perfil ajudam a ampliar a identidade turística da capital. Na avaliação dele, Brasília tem avançado ao incorporar experiências que vão além dos monumentos e passam a explorar criatividade, cultura e empreendedorismo. Ele avalia que projetos como o V12 mostram que há espaço para novos formatos de atração capazes de movimentar a economia e diversificar o perfil dos visitantes.

Além do apelo cultural, o espaço também desenvolve ações de impacto social. Um programa próprio garante visitas guiadas gratuitas para públicos como pessoas com deficiência, idosos, estudantes da rede pública e instituições sociais. A proposta é tornar o acesso mais democrático e permitir que diferentes públicos tenham contato com esse tipo de experiência.

O V12 também vem se aproximando da área educacional. A participação em iniciativas de formação profissional, como competições técnicas ligadas ao setor automotivo, reforça o papel do espaço como ambiente de aprendizado e troca de conhecimento, especialmente para jovens em processo de qualificação.

Inserido nas rotas estruturadas pela Secretaria de Turismo, o espaço passa a integrar uma estratégia mais ampla de valorização de atrativos ainda pouco explorados na cidade. A ideia é apresentar uma Brasília menos óbvia, que combina inovação, cultura e experiências fora do eixo tradicional.

Ao reunir história, interatividade e inclusão em um mesmo ambiente, o V12 Auto Club consolida-se como um exemplo de como iniciativas privadas podem ampliar o repertório cultural da capital e transformar interesses específicos em experiências capazes de atrair públicos diversos.