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O processo de "infantilização" na PMDF

Às vezes gosto de dialogar com os colegas sobre nossa corporação e vejo que não estou só em meu pensamento. Conversando com praças e oficiais sempre ouço as mesmas queixas, ambos sofrem dos mesmos dilemas, mas ninguém faz nada para romper tudo isso. Os blogs que tentam se “levantar” contra o “sistema” sem perceber ajudam a “propagar a cultura vigente”, na verdade, ao invés de ir contra o status quo vigente agem para mantê-lo, pois se mantém os mesmos padrões do passado, as mesmas “palavras de ordem”, o mesmo paradigma do passado. É preciso um novo paradigma, ou seja, uma nova visão de que polícia nós queremos. É preciso romper com o passado. Precisamos olhar para frente, construir o futuro. Precisamos nos desmilitarizar culturalmente, abrir a mente, romper paradigmas, construir um novo futuro.

Ao refletir sobre nossa formação percebo um processo de “infantilização” em nossa gênese que nos impede de reagir. É um “vírus” imobilizador, um elemento “limitador”, chamado “limitarismo”. Tal vírus nos impende de falar, de pensar, de sentir, de agir, de reagir e produzir resultados em nosso meio. Durante minha caminhada na polícia militar vi vários colegas afirmando que ao entrar na corporação ficaram “mais burros” do que eram ou que se tornaram “menos inteligentes” do que entraram. Recentemente cadetes pediram baixa e fizeram a mesma afirmação. Existe algo de errado no sistema. Precisamos ver isso!

Ao falar sobre o “processo de infantilização” estou falando de uma formação que nos limita, que não nos ensina a tomar decisões, que nos torna dependentes. Ao ver as diferenças entre os cadetes de Manaus, que dirigiam viaturas, recepcionavam comitivas nos aeroportos e agiam como “adultos”, durante os jogos entre os cadetes do Brasil, nossos “alunos” da Academia de Polícia de Brasília devem ter percebido o quanto são “infantilizados” ao terem que andar com as mãos para trás, cabisbaixos (com problemas sérios de autoestima), catando folhas, fazendo faxina, dentre outras atividades.
Fico imaginando como não deve ficar a cabeça de pessoas de aproximadamente 30 (trinta) anos, com nível superior, tendo que serem tratadas como criança que somente podem dar um passo se tiver um “oficial” os acompanhando, como professoras de jardim de infância que não podem deixar os alunos “brincar no parquinho”, sozinhos, para que não fujam ou não se machuquem.

Precisamos reavaliar urgentemente nossa formação. Precisamos formar gestores capazes de planejar, organizar, controlar e avaliar com rapidez nossos processos. Precisamos de gestores que compreendam sobre cultura organizacional, liderança, gestão de processos, gestão de projetos, gestão de pessoas, gestão do conhecimento, planejamento estratégico e Instrumentos de avaliação de desempenho organizacional, enfim, precisamos mudar o “método” de formação em nossa Academia. Precisamos sair de um modelo patrimonialista, não esquecendo que somos burocráticos por natureza, mas que podemos adaptar muitas coisas do modelo gerencial em nossa organização. Precisamos avançar! Olhar para frente, evoluir, ou seja, nos adaptar aos novos tempos! Precisamos desmilitarizar nossas mentes, romper com nossas LIMITAÇÕES! Precisamos CRESCER, tornar-nos ADULTOS! Precisamos nos PROFISSIONALIZAR!

Aderivaldo Cardoso
Aderivaldo Cardosohttps://policiamentointeligente.com
Especialista em segurança pública e cidadania, pós graduado pelo Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília
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