Delegados da Polícia Federal decidiram aprovar uma paralisação nacional que poderá suspender parte significativa das atividades da corporação por até 82 horas. A mobilização, ainda sem data definitiva, deve ser confirmada em nova assembleia da categoria, prevista para esta semana.

A proposta prevê a interrupção de operações e atividades administrativas, mantendo apenas ações consideradas essenciais. Entre as exceções estão casos de flagrante, situações com risco iminente à vida e investigações que envolvam autoridades com foro privilegiado.

A iniciativa ocorre em meio a reivindicações por melhorias estruturais e valorização da carreira. A principal demanda dos delegados é a criação de um fundo específico voltado ao combate às organizações criminosas, com recursos provenientes de bens e valores apreendidos em operações policiais.

A medida, segundo representantes da categoria, permitiria ampliar a capacidade de investigação e inteligência da Polícia Federal sem gerar novos custos para o Estado, uma vez que utilizaria recursos oriundos do próprio crime.

Além da pauta estrutural, os delegados também apontam defasagem salarial e criticam o modelo atual de remuneração da carreira, que, segundo eles, não acompanha outras funções do serviço público que contam com benefícios adicionais.

Dados apresentados pela categoria indicam que o crime organizado movimenta centenas de bilhões de reais por ano no Brasil, o que reforça, na avaliação dos delegados, a necessidade de fortalecimento institucional dos órgãos de combate.

Nos últimos anos, a Polícia Federal tem obtido resultados expressivos em operações de repressão financeira, com bilhões de reais recuperados. Ainda assim, a categoria sustenta que a falta de investimento adequado compromete a continuidade e a ampliação dessas ações.

A possível paralisação levanta preocupações sobre impactos no andamento de investigações e operações em curso, especialmente em áreas sensíveis como combate à corrupção, tráfico de drogas e crimes financeiros.