Um prédio residencial em Vicente Pires voltou ao centro das atenções nesta semana após um elevador despencar com oito pessoas em seu interior, deixando dois moradores feridos. O acidente, ocorrido na terça-feira (3/2), expôs um histórico de irregularidades urbanísticas que já vinham sendo alvo de fiscalizações e sanções por parte da DF Legal.

De acordo com a secretaria, o edifício foi autuado em 2023 por falta de licenciamento da obra e recebeu um auto de embargo, além de uma intimação demolitória que determinava a retirada dos pavimentos construídos acima do quarto andar. As determinações, no entanto, não foram cumpridas pelos responsáveis.

Como consequência, em 2024 foram aplicadas duas multas no valor de R$ 68.758,70 cada. Ainda em dezembro do mesmo ano, um laudo técnico confirmou o descumprimento do embargo, indicando que a obra continuava em desacordo com as normas urbanísticas do Distrito Federal. Após o acidente, a DF Legal informou que enviará nova equipe ao local para reforçar a fiscalização.

Feridos e momentos de pânico

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, uma mulher sofreu trauma moderado em uma das pernas e foi encaminhada ao hospital consciente e em estado estável. Um homem também se feriu ao bater a cabeça, mas recusou atendimento médico. Os demais ocupantes do elevador não apresentaram lesões.

O síndico do prédio, Bruno Vieira, relatou que a cabine estava acima da capacidade permitida no momento do incidente. Conforme explicou, o excesso de passageiros teria provocado uma sobrecarga no sistema de freios, fazendo com que o elevador descesse bruscamente até o subsolo. Ele destacou que não houve rompimento de cabos e afirmou que a manutenção estava em dia.

Moradores contaram que o impacto foi tão forte que pôde ser ouvido em diferentes andares do prédio, causando susto e correria nos corredores. Após a queda, o elevador foi desligado e a área isolada por segurança.

Irregularidades e riscos à segurança

O caso reacende o debate sobre os perigos associados a construções irregulares e ao descumprimento de medidas administrativas. Especialistas em fiscalização urbana alertam que obras sem licenciamento e fora dos padrões técnicos não representam apenas infrações legais, mas também ameaças diretas à integridade física de moradores e usuários.

A apuração das responsabilidades segue em andamento, e novas providências administrativas podem ser adotadas conforme os desdobramentos da fiscalização.