O que inicialmente foi tratado como uma briga entre jovens acabou revelando uma sequência de fatos graves que culminaram em uma tragédia. O estudante Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, de 16 anos, morreu na manhã de sábado (7/2), após passar duas semanas internado em estado crítico em decorrência de uma agressão sofrida na saída de uma festa, em Vicente Pires, no Distrito Federal.

O episódio ocorreu na noite de 22 de janeiro, em frente a um condomínio residencial. Segundo relatos apurados, a confusão teve início após uma provocação, que teria evoluído para uma luta corporal. A família de Rodrigo, no entanto, contesta essa versão e sustenta que o adolescente foi atraído para uma emboscada previamente articulada. Imagens gravadas por pessoas que estavam no local mostram o momento em que Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, desfere um golpe que faz o jovem bater violentamente a cabeça contra a lataria de um carro. Em seguida, Rodrigo aparece desorientado, enquanto testemunhas demonstram desespero diante da gravidade da situação.

Após a agressão, o adolescente chegou a retornar para casa, mas passou mal horas depois. A família acionou socorro médico, e durante o atendimento Rodrigo apresentou sinais graves, como vômito com sangue. No dia seguinte, 23 de janeiro, ele foi internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Brasília, onde precisou ser intubado. O quadro clínico permaneceu crítico, evoluindo para morte cerebral, confirmada antes do óbito.

Pedro Turra chegou a ser preso inicialmente pela Polícia Civil do Distrito Federal, mas foi solto após audiência de custódia, mediante pagamento de fiança. Com o avanço das investigações, a repercussão do caso e o surgimento de novos elementos, a polícia solicitou novamente a prisão preventiva, que foi cumprida em 30 de janeiro. Desde então, o investigado está detido no Centro de Detenção Provisória, no Complexo Penitenciário da Papuda, e teve pedidos de liberdade e de cela especial negados pela Justiça.

O caso ganhou grande visibilidade e trouxe à tona outras denúncias envolvendo o ex-piloto, incluindo investigações por agressão e por constrangimento contra terceiros em episódios anteriores. Em razão dos fatos, a Fórmula Delta anunciou a exclusão de Pedro Turra da modalidade.

Familiares de Rodrigo defendem que a agressão não foi um ato isolado. O tio do adolescente, Flávio Henrique Fleury, afirma que há indícios de que um terceiro tenha incentivado o ataque por motivação pessoal, hipótese que segue sob apuração das autoridades.

O enterro de Rodrigo ocorreu no domingo (8/2), em clima de forte comoção. Natural de Goiânia, ele morava no Distrito Federal desde a infância, estudava no Colégio Vitória Régia, treinava no Centro de Treinamento Arena 61 e integrou as categorias de base do Ceilândia Esporte Clube, que divulgou nota de pesar e repúdio à violência.

Autoridades do Distrito Federal também se manifestaram. O governador Ibaneis Rocha classificou o episódio como estarrecedor e lamentou a perda precoce, enquanto a primeira-dama Mayara Noronha Rocha destacou a importância do respeito, dos limites e da responsabilidade individual.

Com a morte do adolescente, o caso passa a ter novos desdobramentos jurídicos. As investigações seguem em curso para esclarecer todas as circunstâncias e eventuais responsabilidades relacionadas à tragédia que vitimou Rodrigo Castanheira.