A atuação da Polícia Militar do Distrito Federal durante o bloco Rebu, no Setor Comercial Sul, deve ser analisada sob critérios técnicos e jurídicos — e não sob versões políticas isoladas.
A ocorrência teve início após indicação de entorpecentes por cão farejador do BPCães, unidade especializada da corporação. A partir dessa sinalização, houve abordagem e condução de suspeitos por possível comercialização de drogas, procedimento compatível com o dever constitucional da polícia de preservar a ordem pública.
Segundo relatos operacionais, a ação policial passou a sofrer interferência externa, com tentativa de impedir a condução dos abordados e incitação de aglomeração contra a equipe. Em cenários de multidão, qualquer obstrução de ato legal tende a gerar risco imediato à integridade dos agentes e do público.
Uso progressivo da força
O emprego de spray de pimenta está previsto na doutrina de uso progressivo da força. Trata-se de instrumento de menor potencial ofensivo, utilizado justamente para evitar escalada para confronto físico direto ou uso de meios mais gravosos.
Em eventos com grande concentração de pessoas, o spray permite dispersar foco de tumulto de maneira rápida e controlada, reduzindo risco coletivo.
Não há registro de uso de arma de fogo ou de lesões graves decorrentes da intervenção. Sob esse aspecto, a resposta foi proporcional ao cenário apresentado.
Interferência parlamentar não substitui procedimento legal
O mandato parlamentar confere prerrogativas institucionais, mas não autoriza interferência física ou obstrução de ato policial regular. A atuação policial deve ser analisada com base na legalidade da abordagem e na preservação da ordem pública — não na posição política de quem estava presente.
A autoridade da polícia decorre da Constituição. A função da corporação é garantir que todos — independentemente de cargo — estejam submetidos à lei.
Prevenção como prioridade
Durante o Carnaval, a PMDF apreendeu armas brancas, drogas e materiais proibidos, impedindo que objetos potencialmente letais circulassem em áreas de grande aglomeração. Esse tipo de atuação preventiva reduz drasticamente a probabilidade de tragédias.
A segurança em grandes eventos não é fruto do improviso, mas de planejamento, integração com o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal e aplicação de protocolos operacionais claros.
Conclusão
O debate público é legítimo. Questionamentos são naturais em uma democracia. No entanto, a análise precisa ser técnica e responsável.
Se houve fundada suspeita, procedimento regular e uso proporcional da força, a atuação policial se enquadra dentro dos parâmetros legais.
A Polícia Militar do Distrito Federal atua diariamente para que milhares de pessoas possam se divertir com segurança. O foco deve permanecer na preservação da ordem, na legalidade e na proteção da coletividade — princípios que sustentam o Estado Democrático de Direito.
