O clima político entre Ibaneis Rocha e Celina Leão azedou — e isso já não é mais tratado apenas nos bastidores do poder.

As declarações públicas trocadas entre os dois escancararam um desgaste político que deputados distritais tentam minimizar nos corredores da Câmara Legislativa. Oficialmente, aliados afirmam que “nada mudou” na relação entre Ibaneis e Celina. Mas, na prática, a política costuma dizer exatamente o contrário quando precisa reafirmar tantas vezes que “está tudo bem”.

Ao afirmar que teve “muitas decepções” com a atual governadora, Ibaneis rompeu um padrão de silêncio e fidelidade pública que sempre marcou a relação entre ambos. A fala foi interpretada por integrantes da base como um recado direto: o ex-governador esperava continuidade política, administrativa e estratégica de seu grupo no comando do GDF.

Celina respondeu no mesmo tom — e talvez até de forma mais dura.

A frase “sucessão nunca será submissão” entrou imediatamente para o centro da crise política local. A declaração não apenas rebate Ibaneis, mas estabelece um novo marco de independência dentro do grupo governista.

Mais do que uma divergência administrativa, o embate revela uma disputa silenciosa sobre autoridade, legado e comando político no Distrito Federal.

Ao citar “rombo bilionário” e “grave crise no BRB”, Celina deixou implícito que herdou problemas graves da gestão anterior. Ainda que sem atacar diretamente Ibaneis, a governadora rompeu a blindagem política que existia entre os dois e passou a construir uma narrativa própria de governo.

Deputados distritais governistas agora atuam para evitar que o episódio evolua para uma divisão aberta da base. Nos bastidores, o temor é de que a tensão entre Ibaneis e Celina provoque reflexos na articulação política do Palácio do Buriti, na relação com a Câmara Legislativa e, principalmente, no desenho eleitoral de 2026.

Publicamente, parlamentares dizem que a relação permanece “institucional” e que não há rompimento. Mas a própria necessidade desse esforço coletivo de contenção revela que o ambiente está longe da normalidade.

Na política, rompimentos raramente começam com portas batendo.
Normalmente começam com frases calculadas, vídeos publicados e respostas atravessadas.

E foi exatamente isso que aconteceu.