Uma possível reconfiguração partidária em âmbito nacional pode alterar significativamente o cenário da sucessão estadual em Goiás. A articulação envolve a federação Renovação Solidária — formada por PRD e Solidariedade — e o PSD, legenda que tem o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como um dos nomes cotados para disputar a Presidência da República.
Embora ainda não haja definição formal sobre o alinhamento nacional da federação, os movimentos recentes indicam distanciamento do Solidariedade em relação ao governo federal e resistência a projetos vinculados à polarização tradicional. Nesse contexto, o PSD surge como alternativa viável dentro de um campo político mais ao centro, o que pode fortalecer a construção de uma candidatura presidencial apoiada por um bloco ampliado de partidos.
Se a composição for confirmada, os reflexos em Goiás tendem a ser imediatos. No plano eleitoral, a soma das bancadas de PRD, Solidariedade e PSD ampliaria tempo de televisão e recursos do fundo eleitoral, fortalecendo o projeto majoritário no estado. A base governista já conta com a federação em sua estrutura, o que facilita a consolidação de alianças locais.
Outro desdobramento possível envolve a formação da chapa ao governo estadual. Com o alinhamento nacional fechado, a federação poderia reivindicar a indicação do candidato a vice na chapa encabeçada por Daniel Vilela, atual vice-governador e nome natural do grupo para a sucessão. Entre os cotados, ganha destaque o presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, Bruno Peixoto, que deve se filiar ao PRD na próxima janela partidária.
Bruno é aliado próximo de Daniel, possui articulação em diversas regiões do estado e obteve votação expressiva na última eleição para deputado estadual. Sua eventual entrada na chapa ampliaria a capilaridade política do projeto governista e reforçaria a presença do grupo nos municípios.
Assim, a engenharia partidária em construção em Brasília pode servir como elemento decisivo para consolidar, em Goiás, uma composição já debatida nos bastidores. Caso o acordo nacional avance, o caminho para uma chapa formada por Daniel Vilela e Bruno Peixoto tende a ganhar força e se tornar uma alternativa concreta na disputa pelo Palácio das Esmeraldas.
