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Religião e militarismo!

Esse texto é simplesmente um desabafo, não deve ser levado em consideração. Nem lido por aqueles moralistas e racionais que gostam de tudo certinho, ou pelos religiosos entorpecidos pelo sistema.
Sempre afirmei nesse espaço que sou um aprendiz, uma pedra bruta a ser lapidada. Alguém falho e imperfeito que aprende a cada dia, com os erros e acertos.
Nunca procurei ser exemplo para ninguém, mas ao contrário. Sempre achei que sou falho demais para ser exemplo.
Sou apaixonado pela polícia, mas um crítico de nossas falhas e erros. Busco defender nossa instituição apontando essas falhas, para chegarmos nos acertos. Pago caro por isso!
Sou também um apaixonado por Jesus Cristo. Procuro seguir seus ensinamentos e viver uma vida no “caminho”. Sou um crítico ferrenho do sistema religioso, criado por homens que só pensam em seus interesses pessoais, que manipulam mentes e não vivem aquilo que pregam.
Nunca escondi que tenho passado por vários problemas de ordem pessoal, perdas irreparáveis em minha vida, que ainda hoje tento assimilar.
Ontem e por diversas vezes em outrora, tive o desprazer de receber algumas ligações de pessoas a minha volta, que não são íntimas, que não sabem de minha dor e de meus problemas, mas que julga minha ausência na IGREJA.
Fico impressionado com a semelhança entre o militarismo e a igreja. Não é atoa que ambas sobrevivem a tanto tempo. A autofagia em ambos os sistemas tem me dado naúseas!!
Ontem tive uma triste notícia no momento dessa ligação. Fiquei sabendo que tirei nota máxima em minha monografia (que virou livro), mas que reprovei na prova do dia 16 de setembro de 2008, dia que jamais esquecerei, por motivos pessoais, pois foi o dia que mais sofri em minha vida. Nesse momento de dor e frustração, particular, me liga alguém perguntando se me “DESVIEI”, pois estou ausente dos trabalhos da igreja. A pessoa não se preocupou em saber como estou, ou como me sinto diante de algumas problemáticas no sistema reliogioso, simplesmente me julga e me condena.
Já afirmei aqui que não sirvo a homens, não me dobro diante deles. Sirvo a um Deus vivo, personalista, que me ama INDEPENDENTEMENTE DO QUE EU FAÇA OU DEIXE DE FAZER. Não há nada que eu possa fazer para que ELE me ame mais! Mas também não existe nada que eu possa fazer para que ele me ame MENOS!!
Odeio no meio religioso (muito comum em minha igreja) expressões do tipo:
MISSÃO DADA É MISSÃO CUMPRIDA!
VOCÊ TEM QUE SE DOAR AO MÁXIMO!
VOCÊ TEM QUE DAR TUDO O QUE TEM!
Servir a Deus para mim é algo maior que isso!
Não admito cobranças desse tipo em minha vida! Cobrar por cobrar é ridículo. Espero que não ocorra e se ocorrer, que antes de falar besteira, me perguntem COMO ESTOU!!!
Servir ao militarismo também é algo diferente para mim…
Meu chefe, graças a Deus me conhece, sempre que chego com problemas percebe e tenta me ajudar, não me condenar, acho que o militarismo tá melhor que minha igreja!!
Como se já não bastasse “alguém” me mandar ficar calado em pleno domingo de manhã…agora essa!!
O homem que tem uma relação verdadeira com Deus não teme a outros homens!
Sei quem eu sou e a Quem eu Sirvo, isso basta para mim!
Qualquer dívida pode ser solucionável, abatida ou excluída, menos a dívida da consciência: quem não é fiel a sua consciência tem uma dívida impagável com seu próprio ser.
Estou aprendendo a saldar dívidas com minha consciência. Não é fácil reconhecer minha imaturidade e falar daquilo que me envergonha. Mas fugir de mim mesmo é perpetuar minhas mazelas, é levar para o palco do meu túmulo os conflitos do meu script.

Aderivaldo Cardoso
Aderivaldo Cardosohttps://policiamentointeligente.com
Especialista em segurança pública e cidadania, pós graduado pelo Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília
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