A saúde pública do Distrito Federal alcançou uma marca histórica em 2026. Entre janeiro e julho, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) realizou 36.442 cirurgias eletivas, crescimento de 35,89% em relação ao mesmo período de 2025. Foram mais de 9,6 mil procedimentos adicionais realizados em apenas sete meses.
O avanço colocou o Distrito Federal em posição de destaque nacional na expansão da produção cirúrgica e elevou a média para 5.206 cirurgias por mês. Em julho, o sistema atingiu o maior volume do período, com 6.153 procedimentos realizados.
Mais do que aumentar números, a expansão começa a produzir um efeito direto para quem depende da rede pública: redução expressiva das filas e do tempo de espera por procedimentos que, em alguns casos, levavam anos.
A governadora Celina Leão atribuiu o avanço à combinação entre ampliação da capacidade da rede pública, contratação complementar de hospitais privados e investimentos na estrutura de saúde.
“Proporcionalmente, somos o estado que mais cresceu no número de cirurgias eletivas do país. Isso é fruto das nossas ações e projetos de complementariedade na rede pública. Paralelo a isso, a gente continua construindo hospitais para reforçar a nossa estrutura física. Havia gente que aguardava na fila há mais de dez anos”, afirmou.
Filas que levavam anos agora são medidas em dias
Um dos indicadores mais expressivos está na redução do tempo de espera.
Para cirurgias de varizes bilateral, a espera caiu de 1.046 dias para apenas seis dias. Na tireoidectomia parcial, passou de 889 para 45 dias. Na tireoidectomia total, de 721 para 108 dias.
A espera pela colecistectomia caiu de 313 para 103 dias, enquanto a ressecção de próstata passou de 116 para 78 dias. No caso da vasectomia, a espera registrada caiu de 172 dias para zero.
A redução também aparece na quantidade de pessoas aguardando determinados procedimentos. A fila para cirurgia de varizes bilateral, por exemplo, caiu de 1.296 pacientes para apenas quatro.
Na tireoidectomia total, o número passou de 320 para 27 pacientes. Na hernioplastia inguinal, de 341 para 59; na hernioplastia umbilical, de 379 para 78; e, na ressecção de próstata, de 193 para 47.
Opera DF amplia capacidade de atendimento
Parte importante desse avanço está relacionada ao Opera DF, programa criado para enfrentar as filas de cirurgias, consultas e exames utilizando tanto a capacidade da rede pública quanto a contratação complementar de serviços privados.
Desde 2025, o programa contabiliza 27.371 cirurgias ambulatoriais e 30.688 cirurgias com internação e de maior complexidade.
Na rede privada, foram contratadas 19.333 cirurgias, das quais 9.251 já haviam sido realizadas, aproximando a execução da metade do total contratado.
Algumas especialidades avançaram ainda mais. A oftalmologia alcançou 67,35% de execução, a cirurgia geral, 64,93%, e a urologia, 53,99%. Cabeça e pescoço chegou a 48,71%, enquanto cirurgia vascular atingiu 48,33%.
Novo investimento de R$ 50 milhões mira fila da ortopedia
A próxima frente de expansão é a ortopedia, uma das áreas de maior demanda.
O Governo do Distrito Federal anunciou R$ 50 milhões para ampliar a realização de cirurgias ortopédicas, com expectativa de atendimento de aproximadamente 4 mil pessoas.
Além disso, a Secretaria de Saúde estruturou um plano específico para viabilizar a oferta de 3.166 cirurgias ortopédicas, incluindo procedimentos de maior complexidade envolvendo quadril, joelho, reconstruções ligamentares e coluna.
“Essa semana nós assinamos R$ 50 milhões para cirurgias ortopédicas. São pessoas que também estão em uma fila muito grande. Vão ser operadas quase 4 mil pessoas”, afirmou Celina Leão.
Estratégia amplia procedimentos de alta complexidade
Para aumentar a produtividade dos centros cirúrgicos, a SES-DF também adotou novos percentuais de complementação financeira sobre a tabela do SUS, tornando possível ampliar a oferta em áreas consideradas estratégicas.
Na cardiologia, os incentivos alcançam procedimentos como implantes de marcapasso e substituição de geradores e desfibriladores. Também houve expansão em oncologia, cirurgia geral, ginecologia, otorrinolaringologia e procedimentos videolaparoscópicos.
O resultado representa uma mudança importante na capacidade de resposta da rede pública: mais cirurgias realizadas, menos pacientes aguardando e redução do tempo necessário para conseguir atendimento.
Com recorde de procedimentos, contratação complementar da rede privada e novos recursos destinados às especialidades com maior demanda, o Distrito Federal entra na reta final de 2026 com um desafio claro: transformar o crescimento da produção cirúrgica em uma redução cada vez maior das filas do SUS e consolidar os avanços alcançados nos últimos meses.
