Uma falsa promessa de melhorar a vida financeira das vítimas por meio de orações fazia parte de um esquema investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Três homens suspeitos de usar rituais religiosos como distração para trocar cartões bancários foram presos na segunda-feira (31). Pelo menos quatro pessoas teriam sido enganadas no DF, acumulando prejuízo de aproximadamente R$ 50 mil.

A ação ocorreu durante a Operação Keep The Faith, conduzida pela 6ª Delegacia de Polícia, do Paranoá. Os investigados foram encontrados no fim da tarde em um churrasquinho no Setor M Norte, em Taguatinga. A suspeita dos investigadores é de que eles estivessem comemorando as ações praticadas ao longo do dia.

Idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade estavam entre os principais alvos. De acordo com a investigação, os suspeitos costumavam procurar possíveis vítimas nas proximidades de agências bancárias.

O primeiro contato não envolvia diretamente cartões ou dinheiro. Um integrante abordava a pessoa oferecendo produtos, medicamentos ou supostos “elixires” ligados à saúde. A conversa servia para levantar informações sobre a vida pessoal, familiar e financeira da vítima.

Com esses dados, o suspeito tentava ganhar a confiança da vítima e introduzia a figura de um suposto “curandeiro”. Ele seria capaz de realizar orações e trabalhos espirituais que poderiam trazer diferentes benefícios, entre eles uma melhora na chamada “saúde financeira”.

Convencida, a vítima era apresentada a outro integrante do grupo. Era nesse momento que começava o falso ritual de bênção do cartão bancário.

Durante as rezas, o cartão original era trocado por outro sem valor. O objeto entregue de volta era colocado em um envelope ou invólucro, que deveria permanecer fechado por aproximadamente sete dias. Os suspeitos alegavam que abrir o pacote antes desse prazo poderia comprometer o resultado da oração.

Enquanto a vítima esperava pelo suposto efeito do ritual, o grupo ficava com o cartão verdadeiro. A polícia apurou que os investigados realizavam compras e saques antes que o golpe fosse descoberto.

Grupo circulava pelo país

As investigações indicam que a atuação não estava restrita ao Distrito Federal. Há registros de crimes relacionados ao grupo em Minas Gerais, São Paulo e na Bahia, de onde são os investigados.

A constante mudança de local faria parte da estratégia para dificultar a identificação dos envolvidos e impedir que diferentes ocorrências fossem relacionadas ao mesmo esquema. Para realizar os deslocamentos, os suspeitos utilizavam um veículo alugado.

Com quatro vítimas identificadas até o momento no DF, o prejuízo calculado chega a R$ 50 mil. A polícia trabalha com a possibilidade de encontrar novos casos, o que pode elevar esse montante.

Depois das prisões, foi estabelecida fiança de R$ 30 mil para cada investigado. Assim, seriam necessários R$ 90 mil para a liberação dos três. Um advogado constituído compareceu à unidade policial durante os procedimentos para tentar viabilizar o pagamento.

A investigação também deverá analisar a situação financeira encontrada após as prisões e a estrutura mantida pelos suspeitos para circular por diferentes estados. A eventual participação de outras pessoas no esquema também será apurada.

Os três investigados deverão responder inicialmente por associação criminosa e múltiplos furtos mediante fraude. A apuração poderá resultar em outras responsabilizações.

A PCDF acredita que outras vítimas podem ter sido abordadas sem perceber que os prejuízos estão relacionados ao mesmo grupo. Quem reconhecer os suspeitos ou identificar uma abordagem semelhante deve procurar uma unidade policial.