A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga a origem de panfletos que utilizam a imagem da governadora Celina Leão, mas apresentam o número 22, diferente do número 11 registrado pela candidata na Justiça Eleitoral.

O material foi localizado em diferentes pontos do Cruzeiro, em Brasília. Há registros dos impressos espalhados pelo chão, afixados em estruturas próximas às quadras e colocados nos para-brisas de veículos. Imagens também mostram exemplares sobre áreas gramadas da região.

A investigação busca esclarecer se houve uma ação coordenada destinada a confundir eleitores e induzi-los a digitar um número diferente daquele utilizado por Celina na eleição.

O episódio chama atenção especialmente pelos números registrados no primeiro turno. Celina Leão recebeu 825.530 votos, correspondentes a 49,93% dos votos válidos, ficando próxima de encerrar a disputa ainda na primeira etapa da eleição.

Além disso, aproximadamente 26 mil eleitores teriam digitado o número 22 para governador, resultando em votos anulados. Até o momento, porém, não há comprovação de que esses votos tenham relação direta com a distribuição dos panfletos agora investigados.

Polícia analisa imagens e possíveis vestígios

A apuração está sob responsabilidade da 3ª Delegacia de Polícia. Entre as providências adotadas está a análise de imagens de câmeras de segurança da região, que teriam registrado três mulheres em locais relacionados à distribuição do material.

Os investigadores também trabalham com a possibilidade de identificar vestígios nos impressos, incluindo eventuais impressões digitais, além de reunir fotografias e vídeos que possam ajudar a reconstruir o trajeto e a forma de distribuição.

Há registros do material em diferentes pontos do Cruzeiro, inclusive na região da Quadra 1603, Bloco D, além de panfletos deixados em veículos.

Origem dos panfletos está sob investigação

Outro ponto apurado é quem teria produzido e financiado o material. Os panfletos não apresentam identificação visível que permita apontar imediatamente o responsável pela impressão ou distribuição.

A investigação deverá buscar esclarecer toda a cadeia envolvida no episódio: quem idealizou o conteúdo, quem determinou sua impressão, onde o material foi produzido e quem participou de sua distribuição.

Caso fique comprovado que os panfletos foram confeccionados e espalhados deliberadamente com o objetivo de enganar o eleitor, os fatos poderão ser analisados pelas autoridades também sob a ótica da legislação eleitoral.

Neste momento, entretanto, a autoria, a motivação e eventual participação de grupos ou organizações ainda dependem da conclusão das investigações. A Polícia Civil trabalha para identificar os responsáveis e esclarecer se a utilização do número errado foi intencional e qual teria sido o alcance da distribuição.