Tenho um amigo, comandante de unidade, que adora me fazer pergunta difícil. O bom é que isso me estimula a pensar. E ele também. Assim a polícia vai mudando. Mais importante que uma resposta é uma pergunta. Precisamos aprender isso!
Já tivemos a oportunidade de discutir sobre o PAPEL DO GESTOR NOS POSTOS e agora sobre a POSSIBILIDADE DE POLICIAMENTO COMUNITÁRIO A NOITE.
São questões interessantíssimas que não me deixam dormir a noite.
A primeira pergunta que faço é:
PODE UM CEGO GUIAR OUTRO?
Essa pergunta é para iniciar a conversa sobre os gestores. O gestor (sargento) tem papel fundamental dentro da AÇÃO DE POLÍCIA COMUNITÁRIA, chamada POSTO COMUNITÁRIO DE SEGURANÇA, mas o que ele faz ultimamente?
Volto a afirmar: NÃO TEMOS POLICIAMENTO COMUNITÁRIO, TEMOS POLICIAIS COMUNITÁRIOS.
É necessário normatizar a função de gestor. Pontuar sua ação, sem limitá-la ao extremo (coisa típica da rigidez militar), falo em dar um norte. Iluminar a mente de nossos sargentos. Dar opções viáveis para a realização do trabalho. Responsabilizar a administração e o administrado. Cegos precisam ver a LUZ. Somente o mestre pode dá-la.
Sobre a possibilidade de policiamento comunitário a noite deixarei os DEZ PRINCÍPIOS DA FILOSOFIA COMUNITÁRIA, retirados do livro: CURSO NACIONAL DE PROMOTOR DE POLÍCIA COMUNITÁRIA – SENASP, 2ª Edição.
Para uma implantação do sistema de Policiamento Comunitário é necessário que todos na institução conheçam os seus princípios, praticando-os permanentemente e com total honestidade e propósitos. São eles:
1) Filosofia e Estratégia Organizacional – A base desta filosofia é a comunidade. Para direcionar seus esforços, a Polícia, ao invés de buscar idéias pré-concebidas, deve buscar, junto às comunidades, os anseiso e as preocupações das mesmas, a fim de traduzí-los em procedimentos de segurança;
2) Compromentimento da Organização com a concessão de poder à Comunidade – Dentro da comunidade, os cidadãos devem participar, como plenos parceiros da polícia, dos direitos e das responsabilidades envolvidas na identificação, priorização e solução dos problemas;
3) Policiamento Descentralizado e Personalizado – É necessário um policial plenamente envolvido com a comunidade, conhecido pela mesma e conhecedor de sua realidade;
4) Resolução Preventiva de problemas a curto e a longo prazo – A idéia é que o policial não seja acionado pelo rádio, mas que se antecipe a ocorrência. Com isso, o número de chamadas da CIADE deve diminuir;
5) Ética, Legalidade, Responsabilidade e Confiança – O policiamento comunitário pressupõe um novo contrato entre a polícia e os cidadãos aos quais ela atende, com base no rigor do respeito à ética policial, da legalidade dos procedimentos, da responsabilidade e da confiança mútua que devem existir;
6) Extensão de Mandato Policial – Cada policial passa a atuar como um chefe de polícia local, com autonomia e liberdade para tomar iniciativa, dentro de parâmetros rígidos de responsabilidade. O propósito, para que o Policial Comunitário possua o poder, é perguntar-se:
– Isto está correto para a comunidade?
– Isto está correto para a segurança da minha região?
– Isto é ético e legal?
– Isto é algo que estou disposto a me responsabilizar?
– Isto é condizente com os valores da Corporação?
Se sua resposta for SIM a todas essas perguntas, não peça permissão. Faça-o!
7) Ajuda às pessoas com Necessidades Específicas – Valorizar as vidas de pessoas mais vulneráveis: Jovens, idosos, minorias, pobres, deficientes, sem teto, etc. Isso deve ser um compromisso inalienável do Policial Comunitário;
8) Criatividade e apoio básico – Ter confiança nas pessoas que estão na linha de frente da atuação policial, confiar no seu discernimento, sabedoria, experiência e sobretudo na formação que recebeu. Isso propiciará abordagens mais criativas para os problemas contemporâneos da comunidade;
9) Mudança interna – O policiamento comunitário exige uma abordagem plenamente integrada, envolvendo toda a organização. É fundamental a reciclagem de seus cursos e respectivos currículos, bem como de todos os seus quadros de pessoal. É uma mudança que se projeta para 10 ou 15 anos;
10) Construção do Futuro – Deve-se oferecer à comunidade um serviço policial descentralizado e personalizado, com endereço certo. A ordem não deve ser imposta de fora para dentro, mas as pessoas devem ser encorajadas a pensar na polícia como um recurso a ser utilizado para ajudá-las a resolver problemas atuais de sua comunidade.
Após a análise dos dez princípios quero afirmar que POLICIAMENTO COMUNITÁRIO DEVE SER FEITO A QUALQUER HORA DO DIA OU DA NOITE, mas que A AÇÃO DE POLÍCIA COMUNITÁRIA, conhecida no DF como Posto Comunitário de Segurança, pode ser revista no horário noturno, lembrando sempre da realidade de cada cidade. O que serve para uma pode não servir para outra. Cada comunidade tem sua peculiaridade e ela deve ser observada e respeitada!