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Chefia e liderança IV – A solidão – Por André Soares

Sei que muitas de nossas “lideranças” comparecem aqui para ver meu posicionamento sobre determinados assuntos. E que  meu último texto, onde falei sobre o “incômodo” que causo a algumas delas, surtiu muito efeito nos “bastidores”. Algumas chegaram a ficar preocupadas com a conversa semanal que tenho com o companheiro Ronner Gama. Não se preocupem, tais encontros são apenas para fortalecer nossa amizade.
Sendo assim, apresento aos leitores do blog, principalmente as “lideranças” do movimento unificado da PMDF, o seguinte texto:
Artigo de André Soares – 27/04/2011
Estude com atenção e completamente a biografia dos verdadeiros líderes e você constatará que a liderança não é um beneplácito e sempre está associada a um elevado ônus pessoal. Significa que ser líder é sempre muito difícil, desgastante, estressante e a relação custo/benefício pode não ser tão favorável como você supostamente possa imaginar.
Você já se perguntou se os líderes são felizes?
Se você quer ser um líder, será que realmente estaria disposto a “pagar esse preço”?

Pois, um dos ônus inerentes exclusivamente ao exercício da liderança é a solidão, vivenciada pelos líderes, não apenas entre os seres humanos, mas também no reino animal. Esse aspecto pode ser observado nas variadas formas de organização social dos animais, especialmente dos predadores, em que aquele que alcança a condição de líder tem uma convivência diferenciada com os demais membros do grupo, marcada pela distinção em que se dá o seu natural e voluntário isolamento.
Antes, porém, é importante compreender que há diferenças significativas entre a solidão e estar só.
Estar só significa estar sozinho, sem companhia, sem ninguém. A solidão, por sua vez, é a consciência de se estar vivendo imerso exclusivamente em seu universo pessoal, introspectivo, sentindo-se plenamente e não tendo a quem recorrer, além de si mesmo.
Em situações opostas, pode-se estar permanentemente rodeado ou acompanhado de pessoas e amigos e sentir-se desesperadamente na solidão. De outra parte, pode-se estar só, completamente sozinho e sem ninguém e sentir-se agradavelmente na solidão.
A diferença entre estar só e a solidão é que estar sozinho é uma questão exógena, exclusivamente circunstancial, em função de se estar acompanhado, ou não. A solidão é questão endógena, é a sensação psicológica de viver exclusivamente em si mesmo e sentir-se plenamente.
A solidão gera sentimentos contrários nas pessoas. A minoria, na qual estão os líderes, nela encontra grande satisfação; pois é somente na solidão, vivenciando-se o máximo de se estar consigo mesmo, que se alcança o autoconhecimento. Todavia, é exatamente por isso que a maioria a teme. Pois, o autoconhecimento é descobrir quem você realmente é. E, ao contrário do que se imagina, essa é uma experiência psicologicamente perturbadora, pois na solidão fica-se entregue aos próprios pensamentos, conduzindo o ser humano a pensar e refletir. Nessa situação, ele será obrigado a encontrar respostas para suas inquietações, que certamente irão aflorar e, caso não se tenha uma sólida estrutura psicológica, poderão dominá-lo.
Quer conhecer uma tortura real capaz de impor grande sofrimento a alguém e sem deixar vestígios?
(Se um dia a empregar, não diga que a ensinei. Pois, vou negar).
A tortura consiste em isolar a vítima, deixando-a só e entregue ao pior carrasco: os seus pensamentos.
Depois disso, você não precisa fazer nada além do que esperar.
Será apenas uma questão de tempo para sua vítima enlouquecer. E tome cuidado que ela pode se matar!

Portanto, para a maioria a solidão representa um sofrimento, por vezes insuportável, porquanto as pessoas não são auto-suficientes em si mesmas, necessitando do auxílio alheio para se auto-enganarem e, assim, continuarem vivendo; ou melhor, existindo.
Líderes são diferentes. Líderes têm autoconhecimento e são auto-suficientes, condições fundamentais para o exercício da liderança, que se caracteriza pela capacidade de se decidir com acerto, oportunidade, iniciativa e coragem, principalmente nos momentos de crise. Líderes tomam decisões, particularmente em situações limite e de caos, onde a única certeza que terão é a solidão e o abandono. Essa é experiência maximizada notadamente nas situações de combate e muito conhecida pelos comandantes militares operacionais como “a solidão do comando”
Portanto, se você pretende ser um líder e exercer a liderança saiba que a solidão será certamente sua companheira permanente.
Porém, lembre-se que essa experiência pode ser psicologicamente angustiante,  como está muito bem descrita nos versos da canção do poeta Alceu Valença, intitulada “Solidão”:
“A solidão é fera, a solidão devora.
É amiga das horas prima irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos,
Causando um descompasso no meu coração”.


Fonte: http://www.inteligenciaoperacional.com/index.php?option=com_content&view=article&id=255&Itemid=346

Aderivaldo Cardoso
Aderivaldo Cardosohttps://policiamentointeligente.com
Especialista em segurança pública e cidadania, pós graduado pelo Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília
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