A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta quinta-feira (10/9), uma operação para desarticular um suposto esquema criminoso envolvendo empresas ligadas ao setor de sucatas. De acordo com as informações da investigação, o grupo teria movimentado aproximadamente R$ 107 milhões por meio de uma estrutura empresarial suspeita de ser utilizada para ocultar operações e reduzir ilegalmente o pagamento de tributos.

Batizada de Operação Circuito dos Metais, a ação cumpre 11 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo.

As investigações estão sob responsabilidade da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Ordem Tributária (DOT), vinculada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor) da PCDF.

Entre as suspeitas apuradas estão sonegação fiscal, emissão de documentos fiscais fraudulentos e lavagem de dinheiro. A polícia busca identificar como funcionava a estrutura financeira e empresarial do grupo, bem como a participação de pessoas físicas e jurídicas nas operações investigadas.

Empresas de fachada

A apuração teve início após uma autuação fiscal relacionada a um CNPJ registrado em São Paulo e apontado como empresa de fachada. A companhia aparecia como destinatária de notas fiscais emitidas por uma empresa considerada fictícia no Distrito Federal.

A partir do cruzamento dessas informações, os investigadores identificaram indícios de uma estrutura mais ampla, formada por empresas e pessoas supostamente interligadas. Segundo a investigação, esse mecanismo teria permitido a circulação de grandes volumes de recursos e a realização de operações sem a correspondente arrecadação tributária.

A suspeita é de que empresas sem atividade econômica compatível com as movimentações registradas tenham sido utilizadas para dar aparência de legalidade às transações realizadas pelo grupo.

Prejuízo aos cofres públicos

A PCDF apura ainda o impacto do suposto esquema sobre a arrecadação do Distrito Federal. A utilização de empresas de fachada e documentos fiscais irregulares teria possibilitado a redução ou o não recolhimento de tributos, provocando prejuízo milionário aos cofres públicos.

Com o cumprimento dos mandados, os investigadores pretendem recolher documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos que possam esclarecer a movimentação financeira e identificar os responsáveis pela estrutura investigada.

O material apreendido deverá passar por análise da Polícia Civil. As investigações continuam para dimensionar o prejuízo fiscal, individualizar a participação dos envolvidos e verificar a eventual ocorrência de outros crimes relacionados ao esquema.