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A experimentação no treinamento diário!

Recentemente escrevi sobre o uso de espargidores e o glaucoma. Recebi um comentário do meu amigo Coronel Sant’anna e resolvi postá-lo para que mais pessoas possam vë-lo, por acreditar que necessitamos de mais conhecimento teórico sobre determinados temas.
É uma aula sobre vários temas. Sugiro que visualizem o vídeo indicado por ele, pois é muito interessante, principalmente no que se refere ao treinamento com alvos em diferentes posições.
Palavras do Coronel Sant’anna:
Aceito a discordância e fomento a discussão – rsrs – voltando ao ponto de que a experimentação é necessária. Não é do seu tempo – vixi, tô ficando velho – mas já tivemos inúmeros colegas condenados e mandados para fora da Gloriosa por acharem que um “jatinho de gás no peba não era nada”. E não estou falando de maus policiais ou maus cidadãos, apenas policiais mal formados e/ou desinformados.
Apenas corrigindo, não sou eu quem diz que a experimentação é necessária, mas todos os trabalhos acadêmicos que indicam que uma experiência pessoal é obrigatória quando da capacitação de profissionais em qualquer trabalho que necessite da prática de ações, movimentos e procedimentos em condição de estresse. Caso isso não seja colocado em prática – obviamente de maneira responsável – aumenta-se exponencialmente a possibilidade de um resultado nefasto. A própria SENASP fala sobre isso quando trata do processo que pode ser emprestado ao treinamento de profissionais de segurança e menciona o que Moreno (pai do psicodrama associado a relações do homem com o ambiente), chama de “teatro espontâneo” ou “teatro do improviso”.
Deixa eu tentar explicar de forma mais direta, brother. Esse fator é o que determina, por exemplo, que ao invés de simplesmente treinarmos porcedimentos com armas de fogo em estande de tiro, construamos uma favela cenográfica para termos uma visão 360º do que nos cerca em termos de possibilidades de ação dos agressores sociais; que ao invés de experimentarmos fazer barulhos com a boca (pou, pou, morreu! Você morreu e eu ganhei!) e dizermos que levamos um tiro e caiamos no chao, façamos treinamentos com o antigo e famigerado paintball (só utilizamos por não termos o airsoft, o simunition, o real action marker, etc). Esses fatores nos inserem em um contexto em que estaremos experimentando e teatralizando ações policiais, o que nos permitirá ter melhor desempenho em caso de um evento real ocorrer, pois já o “vivemos” e sabems como o desconforto do estresse vai nos afetar permitindo, então, um resultado mais efetivo quando a taquipisiquia nos afetar durante confrontos armados, por exemplo.
Veja o texto abaixo, sobre Moreno, extraído do site saskiapsicodrama.com.br :
“(…) Com o Teatro Espontâneo Moreno percebeu que, através da representação, os indivíduos tomavam consciência de seus conflitos psicológicos, reconhecendo-os e ampliando novas possibilidades para lidar com suas dificuldades e situações conflituosas. Nasce assim o Teatro Terapêutico, o Psicodrama, a Psicoterapia de Grupo e o Sociodrama.
Um dos objetivos do Psicodrama, do Sociodrama e da Psicoterapia de Grupo é descobrir, aprimorar e utilizar os meios que facilitem o predomínio de relações télicas sobre relações transferências, no sentido moreniano. À medida que as distorções diminuem e que a comunicação flui, criam-se condições para a recuperação da criatividade e da espontaneidade. Moreno pretendia que a ação dramática terapêutica levasse a algo mais do que a mera repetição de papéis tais como são desempenhados no quotidiano. A ação dramática permite percepções profundas por parte do Protagonista e do grupo, a respeito do significado dos papéis assumidos. (…)”
Outro ponto interessante é o fato de visualizarmos as diferentes reações de colegas e inclusive a nossa, permitindo discernir o que se sente e o quanto devemos ter cuidado com uma ferramente que deve ser solucionadora de problemas, mas que pode se transformar num potencializadora desses, caso não tenhamos noção do que temos nas mãos. Andamos de fusca a vida inteira, de repente aparece uma Ferrari para utilizarmos. Será que saberemos o quanto “acelerar”.
Esse foi o problemas dos colegas que foram mandados para fora da PM. Não souberam acelerar e acabaram batendo com o carro.
Mais comentários no seguinte link, a partir dos 6:20 min de vídeo
http://www.youtube.com/watch?v=Wbtd3UzGx88&feature=player_embedded 
Só nos falta parar de copiar as coisas pela metade e entendermos que devemos explicar o que estamos exigindo de procedimentos de nossos colegas antes de simplesmente inserí-los em um “exercício” e “treinamento”.
Tudo tem uma explicação, mas a pesquisa acadêmica dá trabalho. Nem todos querem pagar o preço.
Abraço fraterno Ir.’.
Ten Cel Sant’Anna

Aderivaldo Cardoso
Aderivaldo Cardosohttps://policiamentointeligente.com
Especialista em segurança pública e cidadania, pós graduado pelo Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília
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