- PUBLICIDADE -

Para onde queremos ir?

Sempre que leio livros sobre a biografia de grandes líderes observo algo interessante. Eles sempre sabiam onde estavam e onde queriam chegar. Eles tinham uma visão clara do todo e uma ampla visão de futuro.
Tenho aprendido que quando você tem uma forte noção de propósito, isso facilita a sua vida, pois podemos aproveitá-la tendo ciência de quão breve é nosso tempo na terra, sendo assim os dias parecem muito curtos. Normalmente acho todos os dias muito curtos para todos os pensamentos que quero ter, para todas as caminhadas que desejo fazer, para todos os livros que desejo ler, para todos os amigos que desejo ver, para todas as batalhas que tenho que enfrentar.
A polícia militar é um campo de estudo interessantíssimo. Nele aprimoro-me todos os dias!
Tenho vivido a experiência de participar das prévias na PMDF e sentir na pele a solidão dos idealistas e sonhadores. Já vivemos vários discursos ao longo do tempo, vejo que não sou daqui. Não consigo fazer o discurso do “bandido bom é bandido morto!”, pois acredito que BANDIDO BOM É BANDIDO PRESO! Não consigo fazer somente o DISCURSO SALARIAL, pois não me considero um MERCENÁRIO FARDADO! Para mim, salário é consequência do trabalho, não objetivo principal, pois aqueles que tem o dinheiro como objetivo principal  se venderão ao longo do caminho, se corromperão por causa das riquezas mundanas!
Acredito que chegará um tempo em que não conseguiremos justificar os nossos salários, prestando o tipo de serviço que prestamos. Pois damos muito pouco para a comunidade e cobramos muito. É  difícil ser representante de uma categoria que não sabe olhar além do próprio bolso. Não sabemos para onde queremos ir. Somos fragmentados e possuímos grupos separatistas que alimentam tais discursos e divisão interna. Somos autofágicos, destruidores de nós mesmos.
Imagino uma corda de oitenta nós, tendo em cada ponta praças e oficiais em um grande cabo de guerra. Nos outros setenta oito nós temos um representante de cada associação, cada um puxando para o seu  próprio lado. Não chegaremos a lugar algum. Não seremos fortes sendo divididos. Não teremos a representatividade que queremos. Sempre demos cheques em branco para nossos eleitos. Não participamos, apenas cobramos! Não construímos os nossos caminhos, pois não temos ao menos noção de onde queremos chegar. Vivemos a utopia do discurso eleitoreiro, que surge apenas de quatro em quatro anos, é quando ouvimos falar em unificação  e desmilitarização. Unificação de quê?  De normas? De Procedimentos? De bancos de dados? De efetivo? Não temos noção do que queremos! Precisamos desmilitarizar culturalmente, mudando nosso comportamento e nossas normas, para depois falarmos em desmilitarização no Brasil, temos que dar o ponto pé inicial, como temos dado com o projeto policial do futuro, dentre outras conquistas!
Defendemos o discurso de que  praça vota em praça, mas não temos quadros experientes para isso. E os que temos não confiamos neles. Perpetuamos nossas mazelas, nossos erros, enterramos nossos sonhos, nossa esperança!
É difícil representar quem não quer ser representado. É difícil ser democrata onde não se está acostumado com a democracia. É difícil ser idealista, onde prevalece o pessimismo. É difícil ter esperança, quando todos dizem que ela já morreu!

Aderivaldo Cardoso
Aderivaldo Cardosohttps://policiamentointeligente.com
Especialista em segurança pública e cidadania, pós graduado pelo Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília
- PUBLICIDADE -

COMENTÁRIOS

NOTÍCIAS RELACIONADAS

- PUBLICIDADE -

Últimas Notícias

- PUBLICIDADE -
- PUBLICIDADE -