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Qual a nossa vocação: polícia de conflito ou polícia confronto?

Recentemente tive a oportunidade de ter uma conversa muito proveitosa com  um dos ajudantes de ordem do atual Comandante-Geral. Amo conversar sobre segurança pública a qualquer momento. Nos encontramos em Águas Claras e discutimos vários temas ligados a nossa Corporação. Fiquei impressionado com o nível de atenção que ele me deu e não poderei deixar de relatar o fato. É muito bom ver como ao longo do tempo alguns conceitos trabalhados aqui ou discutidos ao longo de 4 (quatro) anos tornando-se realidade. Não tenho dúvida de que mesmo com alguns retrocessos o processo de “DESMILITARIZAÇÃO CULTURAL” está muito avançado em nosso meio, muito mais do que eu previa quando comecei a analisá-lo.

O ponto mais importante da conversa foi sobre a situação dos postos comunitários de segurança atuais. Na verdade não temos mais postos de segurança comunitária, temos “postos policiais”. Ainda não temos uma “polícia comunitária”, temos “policiais comunitários”. Discutimos bastante sobre porque alguns postos “funcionam” e outros não. Como sugestão sugeri a criação de uma “gratificação” para os policiais que atuam nos postos. Algo semelhante a GAP (Gratificação por Atendimento ao Público) que já existe hoje nas Agências do Trabalhador, NA HORA e outros. Além é claro de um processo seletivo para os policiais que gostariam de atuar no policiamento comunitário. Creio que uma “análise” criteriosa do perfil do policial que atuará nesse meio ajude a potencializar a “filosofia comunitária” em nosso meio. É uma “gestão por competência” que irá acelerar as melhorias que necessitamos dentro do “policiamento de conflito”.

Tenho observado uma forte migração do policiamento atual, em decorrência do aumento da criminalidade, para as equipes táticas, eminentemente uma “polícia de confronto”. Isso é bom, pois tais equipes trazem “resultados” mais rápidos para a população, mas não se pode abandonar o “controle primário” do crime.

O problema mais comum na segurança pública é a falta de continuidade e de estudos técnicos para solucionar o problema.  Não procura-se resolver os problemas nos projetos atuais, procura-se criar outros projetos. É melhor abandonar o que já existe do que descobrir seus erros e aperfeiçoá-los. Como em nosso jargão policial “nada se cria, tudo se copia”, depois de algum tempo repetimos as mesmas fórmulas. Estou sentindo que voltaremos em breve a viver o “TOLERÂNCIA ZERO” de um determinado governo. Aqui em Brasília é assim: POSTO, VIATURA, POSTO, VIATURA, POSTO, VIATURA… Precisamos definir se somos uma POLÍCIA DE CONFLITOS (MEDIAÇÃO) ou uma POLÍCIA DE CONFRONTO.

Ninguém defendeu, AINDA, enfaticamente a utilização dos dois MODELOS de maneira que funcione bem.  A sua utilização depende da área e do MOMENTO. Em algumas áreas o posto é melhor, em outras a viatura, na maioria os dois. Precisamos avançar. Pensar segurança pública não é fácil. Se fosse já teríamos resolvido nossos problemas. O interessante é que todo mundo acha que entende do assunto. Quem estuda  e se aprimora todos os dias não sabe, fico imaginando quem nunca leu um livro sobre tema. Segurança pública se faz diariamente, com os erros e acertos!

Aderivaldo Cardoso
Aderivaldo Cardosohttps://policiamentointeligente.com
Especialista em segurança pública e cidadania, pós graduado pelo Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília
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