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Uma análise do atual movimento inteligente da corporação e o risco de radicalização nos próximos dias!

Não há dúvida de que liderar é influenciar, mas alguns lideram para o bem e outros para o mal. Eu diria que liderar para o “bem” é a busca dos interesses coletivos, baseado na verdade e na sinceridade. É a busca pela amizade, lealdade e cumplicidade. As pessoas seguem um líder por acreditar que ele sabe o que está fazendo. Por acreditar que tal líder tem uma visão privilegiada do “futuro”. Um líder que busca o melhor para coletividade deve ter a habilidade de ver as coisas que os outros não vêem e de falar as coisas que os outros não tem a coragem de dizer. Liderança está intimamente ligada a credibilidade. Nossos líderes do passado pecaram no quesito credibilidade, pois influenciaram para seus próprios fins, neste caso específico a liderança tornou-se manipulação.
Alguns companheiros acham minhas postagens “pessimistas” com relação ao nosso reajuste deste ano. Eu diria que são realistas. Ganhei credibilidade na Corporação por falar somente o que eu tinha certeza ou com base em informações confiáveis. Por estar inserido em um contexto político há vários anos, talvez eu veja um pouco mais longe do que os outros. Ou quem sabe as pessoas inseridas no espaço de poder confiam em mim a ponto de serem sinceras sobre nosso reajuste. Acredito na mudança da polícia mais que qualquer um dentro desta corporação. Não há dúvida de que a polícia precisa mudar, de que ela está mudando e de que ela irá mudar!
Quando digo que a possibilidade de aumento este ano é mínima não é para desmotivá-los e desmobilizá-los. Pelo contrário, é para mantê-los mobilizados com base na verdade. Uma vez uma mulher me disse que preferia uma doce mentira a uma dura verdade. Sempre optei pela última. A verdade liberta. A verdade nos motiva a manter-nos unidos em prol de um ideal. Se nos desmobilizarmos é provável que não tenhamos nada no próxmo ano. Como ocorreu no ano passado e pagamos o preço este ano, ficamos mais um ano sem aumento por nossa desmobilização, por nossa falta de liderança. O movimento atual não está focado em uma única pessoa. Está focado em mais de vinte mil policiais e bombeiros, sendo cada um sua própria liderança, pois antes de liderarmos os outros devemos liderar as nós mesmos.
Política salarial se faz de um ano para o outro. Estamos no caminho certo. Precisamos negociar com a bancada do DF. Precisamos dialogar com o Governo local e federal. Precisamos fazer lobby no MPOG (Ministério do Planejamento, Orcamento e Gestão), na Casa Civil e no Congresso Nacional. Quando entramos em um determinado emprego, normalmente, trabalhamos um mês para depois recebermos nosso salário. Movimento sindical é assim também. Não conhecemos essa lógica porque nunca fizemos isso. Por isso, temos dificuldade com o novo, com a mudança de paradigma. Sempre fomos imediatistas e ganhamos migalhas. Alguém já parou para pensar porque o Detran e a Polícia Civil sempre ganham aumentos de um ano para o outro? O segredo é que eles negociam nos bastidores antes. Fazem a política dos bastidores. Atualmente estamos aprendendo a fazer, mas isso leva tempo! Precisamos ter paciência e fé, pois a construção é diária. Fé é coragem com esperança. É a coragem de lutar e nunca desistir e a esperança de que iremos conquistar nosso objetivo.
Nosso movimento, apesar de ser inteligente, corre sérios riscos nos próximos dias. Existe um risco de nos desmobilizarmos devido ao tempo que iremos negociar. Creio que vá se arrastar até o segundo semestre. É um processo natural. Além disso, temos outro risco: a radicalização. Creio que o discurso radical ganhe força nas próximas assembléias e que as lideranças, em decorrência de deputados de oposição insuflarem o movimento, não conseguirão segurar o movimento de maneira ordeira e legal por muito tempo.
O mês de abril é estratégico. Sugiro uma assembléia no dia 13 de abril. Uma sexta-feira treze. Altamente simbólica. Caso o Governo não aponte uma solução, mesmo que seja para a equiparação nos próximos dois anos, sugiro uma mobilização externa, ou seja, um Movimento Unificado entre todos os órgãos que usufluem do Fundo Constitucional (Segurança, Saúde e Educação). Esse movimento unificado pode pressionar o Governo de maneira tal que pode ser o início de uma grande fissura em um fragilizado “município” com jeito de “Estado”. Inteligência é tudo. Vamos usá-la. Cada polícial é um líder em potencial. Liderar é influenciar. Vamos influenciar a sociedade a nossa volta.

Sabia mais:
http://aderivaldo23.wordpress.com/2012/02/26/uma-reflexao-sobre-o-nosso-movimento-reivindicatorio/
http://aderivaldo23.wordpress.com/2012/03/03/uma-analise-da-assembleia-dos-policiais-militares-e-bombeiros-do-df-dia-02-de-marco-de-2012/

Aderivaldo Cardoso
Aderivaldo Cardosohttps://policiamentointeligente.com
Especialista em segurança pública e cidadania, pós graduado pelo Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília
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